
17/09/2019
O fogo que ardeu na Amazônia em 2019 consumiu áreas que já haviam sido exploradas ilegalmente em 2016 e em 2017, e cujos supostos desmatadores foram acionados na Justiça pelo Ministério Público Federal (MPF). É o que revela um levantamento inédito da Procuradoria-Geral da República (PGR) elaborado a pedido do Globo.
O cruzamento de dados feito por peritos da PGR mostra a ocorrência de focos de queimadas em um terço das áreas desmatadas na Amazônia que resultaram em ações contra desmatadores na Justiça.
Para a PGR, trata-se de uma evidência clara de que, apesar de os suspeitos passarem a responder a processos em varas federais, eles continuaram a desmatar e a fazer uso das mesmas áreas por meio do fogo.
O número de queimadas na Amazônia neste ano é o maior desde 2010, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Até anteontem, já eram 56,6 mil focos, 42% a mais do que no mesmo período de 2018. O fogo no bioma gerou uma crise internacional para o governo de Jair Bolsonaro.
As queimadas na região têm dinâmica complexa, principalmente pela dificuldade de localização do agente por trás do fogo e da determinação da característica da área incendiada — se é um terreno já desmatado ou se o fogo está sendo usado em novos desmates.
O MPF passou a investigar os incêndios em diversos inquéritos abertos desde o início da crise. Uma das hipóteses, aventada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, é a existência de uma ação criminosa “orquestrada”.
O levantamento da PGR, que ajuda a lançar luz sobre a situação no bioma, resultou numa nota técnica enviada à reportagem, com o cruzamento de alguns dados, a base deles sendo os do programa “Amazônia Protege”, coordenado pela Câmara de Meio Ambiente da PGR. Este programa já resultou em 2.539 ações civis públicas na Justiça contra 2.882 réus, suspeitos de desmatamentos ilegais.
Saiba mais em O Globo
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