
12/09/2019
A mãe estranhou quando a pequena Ana Carolina, de 2 anos, passou dois dias febril, sem qualquer outro sintoma e, num sábado de julho, acordou se queixando de dor no ouvido e com o rosto inchado. Após um exame, a suspeita da família se confirmou: a criança estava com caxumba. O aumento do número de casos da doença, uma infecção viral aguda e contagiosa, já acendeu um alerta. Nos oito primeiros meses deste ano, o estado do Rio registrou um crescimento de 130% na quantidade de notificações em relação ao mesmo período de 2018, e o número de casos já ultrapassa o registrado em todo o ano de 2018 e 2017.
- A doença foi branda na Ana Carolina, talvez por ela já ter tomado as duas doses da vacina tríplice viral, como me explicou a pediatra. Depois dos dois dias febril, ela acordou chatinha por causa do inchaço no rosto e falou que o ouvido doía. Mas não teve mais febre e, dois ou três dias depois, o inchaço sumiu - conta Alessandra Rodrigues, de 37 anos, supervisora pedagógica da Creche Escola João Paulo II, no Recreio, Zona Oeste do Rio.
De acordo com a Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria estadual de Saúde (SES), de janeiro a agosto de 2019, foram registrados 2.185 casos de caxumba. No mesmo período de 2018 e 2017, foram 948 e 1.015, respectivamente. Ao todo, ocorreram 1.973 registros, em 2018, e 1.376, em 2017. Não houve mortes provocadas pela doença de 2017 até agosto deste ano.
A SES afirma que não há surto da doença no estado e que a imunização está prevista no Calendário Nacional de Vacinação, com a tríplice viral, sendo uma dose aplicada aos 12 meses de idade e outra, aos 15.
Já a Secretaria municipal de Saúde do Rio informa que as notificações de caxumba são feitas apenas em casos de surto, quando há dois ou mais casos em ambientes fechados. Dessa forma, foram registrados 36 surtos este ano, que ainda estão em análise e, por isso, os dados estão sujeitos à revisão. Em 2018, foram 16 surtos notificados e, em 2017, 19 surtos.
- O aumento de casos este ano em relação ao mesmo período de 2018 é significativo e pode estar relacionado, assim como aconteceu com o sarampo, à queda da cobertura vacinal, já que a vacina é a mesma - explica o médico Alexandre Chieppe, da Secretaria estadual de Saúde.
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