
12/09/2019
Os alertas de desmatamento no Cerrado, o segundo maior bioma brasileiro, apontam uma redução da devastação até agosto deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Um fenômeno, no entanto, vem chamando a atenção de pesquisadores que acompanham os mapas de satélite das áreas de fronteira agrícola: a derrubada da vegetação para não colocar absolutamente nada no lugar.
Isto vem ocorrendo principalmente na região chamada Matopiba, uma área de Cerrado mais preservada no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e que vem se transformando em uma nova fronteira agrícola para a expansão do cultivo de soja.
A prática de desmatar "para nada" foi detectada por uma pesquisa em curso no Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig) da Universidade Federal de Goiás (UFG).
O Lapig é responsável por fazer o trabalho de validação dos dados de desmatamento do Cerrado produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Hoje, 11 de setembro, é o Dia Nacional do Cerrado.
Ao contrário da Amazônia, cujos alertas de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) mostram que a devastação quase dobrou no primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, o Cerrado vem passando por um processo de redução dos desmatamentos.
Os alertas do Deter, formulados pelo Inpe, servem para orientar a fiscalização em campo, e não correspondem aos dados oficiais e consolidados de desmatamento. Eles indicam, porém, as tendências em curso nos dois biomas.
Na Amazônia, conforme o Deter, foram desmatados 6.404,4 km² entre janeiro e agosto deste ano, ante 3.336,7 km² no mesmo período do ano passado, um aumento de 91,9%.
No Cerrado, a destruição somou 3.931 km² até agosto deste ano, enquanto no mesmo período no ano passado foram 4.391 km² — uma diminuição de 10,4%.
Para saber mais acerca desta reportagem acesse O Globo
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