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Tragédias climáticas aumentam taxas de resseguros e obrigam a repensar o sistema econômico

10/09/2019

Com ventos que ultrapassam 200 km/h, o furacão Faxai já obrigou o governo do Japão a cortar a energia de 900 mil casas, a cancelar mais de 130 voos, a desligar as linhas de trem por horas. Por enquanto, mais de 70 pessoas estão feridas e duas outras morreram. O tufão, considerado o mais forte que atingiu o país na última década, já está indo para o mar, mas ainda causa estragos.
Na Coreia do Norte, outro furacão, chamado Lingling, varreu a região no fim de semana (7 e 8), deixando também um rastro de destruição e 460 quilômetros inundados em terras agrícolas. Vai faltar comida.
A Bahamas, enquanto isso, vítima do furacão Dorian que assolou a região de 1 a 3 de setembro deixando mais de 1 mil desaparecidos e 43 mortos, está precisando de ajuda humanitária para 70 mil pessoas que não têm nem água potável para beber. Em um dos muitos depoimentos dramáticos de pessoas que perderam tudo e estão sem saber o que fazer a partir de agora, uma senhora se destacou: “Comida eu posso conseguir, pescando. Mas eu preciso de uma casa. Eu tinha uma casa e não tenho mais!”
Esses são apenas três exemplos recentes de eventos extremos que se acentuam, se agravam. A cada notícia que temos de tufões, tempestades tropicais ou furacões, há a informação de que há tempos não se via nada semelhante. Apesar da cara feia dos negacionistas, evidências científicas não deixam dúvidas: o aquecimento do mar, provocado pelas emissões de gases do efeito estufa na atmosfera, é um dos responsáveis diretos por tais eventos que, segundo a agência oceânica e de administração da atmosfera dos Estados Unidos (Noaa na sigla em inglês), pulou de 200 ciclones/ano em 1950 para 1.500/ano em 2010.*
“Uma das condições indutoras desses eventos é que as camadas superficiais do mar, em até 50 metros de profundidade, atinjam temperaturas superiores a 26 graus”, explica Luiz Marques em “Capitalismo e Colapso Ambiental” (Ed. Unicamp).
A questão é que, como em qualquer crise, e mesmo com o desempenho dos negacionistas – que costumam contestar apenas quando se debate o investimento em adaptação, mas se calam diante das irrefutáveis perdas – também na crise climática o mundo financeiro vai se envolver, e se cuidar. Conforme uma notícia publicada hoje pela agência Reuters e republicada no site Climate Home News, as perdas por furacões, tufões, e até por incêndios florestais, como o que está ajudando a queimar parte da Floresta Amazônica desde o mês passado, causarão aumento nas taxas de resseguro em até 5%.
Para ajudar a compreender: resseguro é uma operação pela qual o segurador transfere a outro, total ou parcialmente, um risco assumido através da emissão de uma apólice ou um conjunto delas. Dessa forma, reduz-se a responsabilidade na aceitação de um risco considerado excessivo.

Leia a matéria no G1

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