
05/09/2019
A história é célebre: entre 1831 e 1836, o então jovem naturalista Charles Darwin – dos 22 aos 27 anos – deu a volta ao mundo a bordo do navio britânico HMS Beagle, realizando coletas e pesquisas de rochas e seres vivos, o que o levou mais tarde a elaborar a teoria da evolução das espécies, que, apesar do nome não é teoria, mas fato.
O que nem todo mundo sabe é que a viagem passou pelo Brasil entre fevereiro e julho de 1832 e em agosto de 1836. O que ainda menos gente conhece é a descrição geológica que ele fez das chamadas "beachrocks", rochas de praia, no litoral de Maricá, 57 quilômetros ao norte da cidade do Rio de Janeiro, que, segundo um grupo contrário ao projeto, estariam ameaçadas pelo projeto de construção de um porto na região.
Segundo Kátia Leite Mansur, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que pesquisa essas rochas desde 2008 e integra, junto com outros pesquisadores, ambientalistas e moradores da região, o movimento contra o empreendimento, as primeiras notícias sobre a construção na praia de Jaconé, com investimentos de R$ 5,5 bilhões, surgiram em 2010.
Ele ocuparia a área marinha adjacente à Ponta Negra até a base da Serra de Jaconé. Primeiro, seria apenas um estaleiro, mas em 2011 foi anunciada construção do Terminal Ponta Negra (TPN) para escoar a produção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Petrobrás, já em construção em Itaboraí, a 60 quilômetros de Maricá.
A DTA Engenharia, empresa responsável pelo projeto, diz que ele já foi alterado para reduzir o impacto às beachrocks, após uma ação judicial promovida pelo MPRJ, com liminar deferida desde 2015.
"O processo ainda não foi julgado e, independentemente da discussão na ação quanto à real passagem do naturalista pela parte da praia de Jaconé onde está situado o TPN e a inexistência de estudos de sua autoria sobre eles, o projeto foi alterado, com a exclusão de dois terços das atividades inicialmente licenciadas", explica Juliana Digiorgi, gerente administrativa da empresa.
As beachrocks, termo clássico que em português pode ser traduzido para "rochas de praia" ou, mais recentemente, "praianito", são formadas por sedimentos depositados em uma praia antiga e que se transformaram em uma pedra pela precipitação de carbonato de cálcio entre os grãos. Elas ficam submersas e eventualmente afloram durante ressacas do mar e maré baixa.
"Assim, elas são o registro de uma antiga linha de praia", explica o geólogo Renato Rodriguez Cabral Ramos, colega de universidade de Kátia e também integrante do movimento contra a instalação do porto.
Em sua viagem pela então província do Rio de Janeiro, Darwin encontrou as beachrocks na praia de Jaconé, entre Maricá e Saquarema, em 9 de abril de 1832, e as descreveu em sua caderneta de campo. Depois disso, elas ficaram esquecidas por mais de 150 anos.
"Somente na década de 1990, fragmentos desse tipo de rocha foram identificados pela arqueóloga Lina Kneip, em sambaqui descoberto em Saquarema", diz a geóloga Kátia.
Esta matéria pode ser lida no G1
Onças, gatos-do-mato e até filhotes roubam a cena em monitoramento no Parque Nacional de Itatiaia; vídeo
28/07/2026
O que é biodiversidade?
28/07/2026
Fazendeiro é condenado a recuperar área desmatada e pagar R$ 11,9 mil por danos ambientais em MG
28/07/2026
Protect Paradise já reciclou 7,5 toneladas de plástico em Noronha
28/07/2026
Mais de 80% das áreas protegidas da Amazônia tiveram desmatamento zero
28/07/2026
Número de espécies exóticas de moluscos no Brasil aumenta 215% em 15 anos
28/07/2026
