
03/09/2019
Depois de ter contestado dados oficiais de desmatamento, criticado a política de demarcação de terras indígenas e recusado ajuda financeira internacional, o presidente Jair Bolsonaro acabou recuando após pressão de setores que temiam boicote a seus produtos no exterior, como o agronegócio. Ele deu sua chancela para que seja colocada em marcha uma campanha internacional de contenção de danos, antes da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, onde fará seu primeiro discurso de abertura, no dia 22 de setembro.
A ação, que será feita por meio das redes sociais e de conversas com formadores de opinião, tem o objetivo de melhorar a percepção, sobretudo de países europeus, sobre as ações do governo voltadas para o meio ambiente. A expectativa é que a campanha consiga passar a ideia que o governo não “quer acabar com a floresta amazônica” e que “objetivo da preservação é de todos”, dizem interlocutores.
Bolsonaro também vai reforçar o discurso de que a crise envolvendo a Amazônia foi usada politicamente pelo presidente da França, Emmanuel Macron, e fará defesa enfática da soberania nacional, em resposta à proposta de “internacionalização” da floresta levantada pelo líder francês.
A meta, segundo relatou um interlocutor do Planalto, é “tirar o debate do campo político e emocional” e apresentar a formadores de opinião no exterior, bem como nas redes sociais, “dados técnicos do governo” que indiquem que “as queimadas, embora mereçam atenção, não estão além do que ocorre anualmente.” Monitoramentos nas redes sociais feitos pelo governo indicam que a percepção para estrangeiros é de destruição total da floresta.
O plano de ação para a Amazônia Legal, que ainda está sendo elaborado sob coordenação da Casa Civil, deverá ser utilizado na campanha internacional como uma prova de que a gestão de Bolsonaro não está inerte. Amanhã e terça-feira, uma comitiva de nove ministros viaja a Belém e Manaus para acompanhar a situação do combate às queimadas, que conta com o apoio das Forças Armadas. Na ocasião, eles devem conversar com os governadores dos nove estados que integram a região.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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