
03/09/2019
O furacão Dorian, o segundo mais forte a se formar no Oceano Atlântico, chegou às Bahamas no domingo, danificando severamente mais de 13 mil casas e matando ao menos uma pessoa, um menino de oito anos. A tempestade agora segue em rumo à costa da Flórida, onde deverá chegar na noite desta segunda-feira ou nas primeiras horas de terça-feira.
O Dorian é apenas uma das tempestades que acontecem anualmente no Oceano Atlântico entre o início de junho e o final de novembro , quando as condições climáticas e atmosféricas estão propícias para a formação de furacões. Todos os anos, as histórias de perda, morte e danos causadas por estes fenômenos climáticos tomam conta dos noticiários e, com o aquecimento global, a tendência é que seu potencial destrutivo fique ainda maior.
Entenda o que são estas tempestades, como elas se formam e são classificadas:
O que é um furacão?
Furacão é o nome dado a ciclones tropicais que se formam no Oceano Atlântico e no Nordeste do Pacífico. Tempestades deste tipo que se formam em outros lugares recebem nomenclaturas diferentes, mas são fenômenos essencialmente iguais: no Noroeste do Pacífico são chamado de tufões e no Sul do Pacífico e no Oceano Índico, de ciclones.
Ciclones tropicais são alimentados por ar quente e úmido — por isso que se formam apenas nas águas quentes perto da Linha do Equador, onde o oceano tem altas temperaturas.
Outro ingrediente fundamental é o vento — no caso do Atlântico, as correntes de ar que sopram da África em direção à América. Conforme o vento passa pela superfície do Oceano, a água evapora e ascende. Em seguida, este vapor sobe, esfria e se condensa, formando nuvens.
A partir daí, segundo a Associação Atmosférica e Oceânica dos Estados Unidos (Noaa, na sigla em inglês), há quatro etapas até que um furacão se forme.
Quais são essas etapas?
Quando o vapor das águas quentes se condensa para formar nuvens, é liberado calor no ar. Este ar quente sobe, sendo puxado por uma coluna de nuvens, em um processo contínuo, formando nuvens maiores e mais altas. É, então, formado um padrão, com o vento circulando ao redor do centro. Conforme este sistema vai crescendo, ele se torna um aglomerado de nuvens de tempestade chamado perturbação tropical.
Conforme esta perturbação aumenta seu tamanho e sua altura, o ar em cima da coluna de nuvens esfria e torna-se instável. Em um processo paralelo, a energia liberada pelo vapor condensado deixa a parte de cima das nuvens cada vez mais quente, aumentando a pressão do ar e fazendo com que os ventos se movam para longe da área de alta pressão — o que faz com que a pressão na superfície abaixe.
Assim, o ar na superfície da Terra se move em direção à área de baixa pressão, subindo e alimentando o sistema. Os ventos na coluna formada pelas nuvens começam a se mover cada vez mais rápido, em uma moção circular. Quando chegam a cerca de 40 km/h, a perturbação passa a ser chamada de depressão tropical.
A depressão tropical evolui para uma tempestade tropical quando os ventos chegam a cerca de 62 km/h. É nesta fase, quando o ar começa a soprar cada vez mais forte e a se curvar no centro do sistema de nuvens, que ela ganha um nome. No hemisfério norte, este ventos têm direção anti-horária e no sul, horária.
Quando os ventos ultrapassam 119 km/h, a tempestade tropical torna-se oficialmente um furacão. O sistema de nuvens fica a pelo menos 15 quilômetros de altura e tem, ao menos, 200 quilômetros de comprimento.
Os ventos que sopram do oeste para o leste empurram o furacão para a região do Caribe, do Golfo do México e para a costa sul dos Estados Unidos. Os ventos e a baixa pressão fazem a água se amontoar perto do olho da tempestade — o que causa grandes ondas quando a tempestade se aproxima da costa.
E quais são as categorias de um furacão?
A categoria de um furacão é medida a partir da escala Saffir-Simpson, que estabelece cinco níveis de acordo com a velocidade dos ventos e estima seu potencial destrutivo. Tempestades acima da categoria 3 são consideradas "grandes" pois podem ocasionar mortes e destruição significativas. Ciclones tropicais mais fracos, contudo, também são perigosos e demandam medidas preventivas.
Furacões de categoria 1 têm ventos entre 119 e 153 km/h e podem, segundo o Centro Nacional de Furacões do governo americano, causar danos a telhados, telhas e calhas. Eles são suficientemente fortes para torcer galhos e derrubar árvores com raízes superficiais. Já as tempestades de categoria 2, com ventos entre 154 e 177 km/h, têm potencial destrutivo um pouco maior.
Os ciclones tropicais de categoria 3, com ventos que variam entre 178 e 208 km/h, causam danos "devastadores", com a destruição de telhados, deques, a derrubada de árvores e postes. Aqueles de categoria 4 , com ventos entre 209 e 251 km/h, destroem telhados, paredes externas e derrubam a maior parte das árvores e postes da região. Áreas afetadas podem ficar inabitáveis por semanas ou até meses.
Por último, furacões de categoria 5 irão destruir a maior parte das casas de madeira, com perda total do telhado e das paredes. Árvores e postes derrubados irão isolar áreas residenciais e a falta de energia irá durar por semanas ou até mesmo meses — período pelo qual a região deverá ficar inabitável.
Fonte: O Globo
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