
15/08/2019
Nos quinze anos entre 2002 e 2017, 1.558 pessoas em 50 países diferentes morreram por defender suas terras, águas e florestas não só de ataques diretos de pessoas como de grandes empreendimentos que visam ao lucro e não respeitam o meio ambiente.
Este número é mais do que o dobro de mortes de militares em guerras no Reino Unido e na Austrália, e quase metade do número de soldados norte-americanos mortos nas guerras do Iraque e Afeganistão desde 2001.
Na lista dessas vítimas estão ativistas comunitários, membros de movimentos sociais, advogados, jornalistas, funcionários de organizações não-governamentais, povos indígenas, membros de comunidades tradicionais, camponesas e agrárias, e aqueles que resistem ao despejo forçado ou outras intervenções violentas. Uma característica une as pessoas deste triste grupo: são pacíficas, sempre fizeram seu trabalho visando a proteger o meio ambiente ou o direito à terra.
Os dados são de um estudo publicado na revista “Nature” de 5 de agosto e usam, entre outras, a pesquisa da ONG Global Witness. Este relatório traz outro dado: das 683 mortes que aconteceram entre 2014 e 2017, mais de 230 foram relacionadas ao agronegócio e à mineração, responsabilizando, portanto, também as grandes corporações. E cita que os “benefícios da exploração de recursos naturais em uma nação que se acumulam para outra nação” são um dos principais pontos de conflito.
Detalhando os conflitos, que têm ocorrido com mais frequência do que se gostaria e que, infelizmente, têm se tornado um emblema dos dias atuais, o estudo faz ainda um comentário sobre o Brasil – “o país com maior número de mortes desse tipo, sobretudo de indígenas”. Segundo os pesquisadores, nosso país é hoje foco de preocupações, já que o governo de Jair Bolsonaro relaxou as leis que proíbem uso das armas, sobretudo no campo e as que protegem o meio ambiente.
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