
08/08/2019
Um satélite do tamanho de uma fatia de pão de forma — e com assinatura brasileira — será lançado no espaço com o objetivo de contribuir para os estudos das mudanças climáticas na Terra. O equipamento coletará dados sobre a influência de partículas suspensas na atmosfera na formação de nuvens e sua relação com variações registradas nas últimas décadas no clima.
O dispositivo embarcará em outubro numa missão não tripulada da Nasa, em projeto liderado pelo físico brasileiro Vanderlei Martins, professor da Universidade de Maryland, Baltimore County (UMBC), nos Estados Unidos.
Chamado de Harp CubeSat, o satélite permitirá observar o mesmo ponto na superfície da Terra sob 60 ângulos diferentes. Ele ficará no espaço por um ano. Segundo Martins, o tema do estudo é pouco compreendido na comunidade científica e pode ajudar a alavancar novas pesquisas.
— O efeito dessas partículas na formação de nuvens é hoje a maior incerteza quando se fala em projetos sobre a mudança climática — diz Martins, que foi bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), que colabora no desenvolvimento do algoritmo que analisará as medidas feitas pelo satélite.
As pequenas partículas suspensas na atmosfera terrestre, como poeira, fuligem, fumaça e poluição urbana, são chamadas de aerossóis atmosféricos. Elas influenciam diretamente o balanço de radiação da atmosfera, causando um efeito de resfriamento da Terra, e foram, ao longo do século, determinantes no crescimento ou na diminuição da temperatura global do planeta. Mas podem ser também poderosos poluentes, no caso dos aerossóis produzidos pelo homem, como a poluição, com efeitos diretos na saúde pública.
Leia a matéria em O Globo
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