
08/08/2019
O canadense Edward Kean é conhecido como "caçador de icebergs": há 20 anos ele se aproveita do comércio dessa água glacial, propiciado pelo derretimento das geleiras.
Todas as manhãs, com as primeiras luzes da madrugada, o capitão do navio de pesca Green Waters, de 60 anos, se joga ao mar com seus três marinheiros para colher seu "ouro branco", o gelo, no chamado corredor dos icebergs do Grande Norte.
A alta temporada de icebergs está chegando ao fim este ano com as temperaturas se elevando. "Ao chegar aqui, os icebergs se derretem muito rapidamente", diz o capitão.
Kean extrai água desses blocos congelados e os vende para os comerciantes locais que os engarrafam, misturam com álcool ou os usam para fazer cosméticos.
"Eles vão derreter em poucas semanas e voltar para a natureza de qualquer maneira, então não prejudicamos o meio ambiente, apenas aproveitamos a água mais pura que podemos encontrar", esclarece.
A aceleração do aquecimento global no Ártico acentua o derretimento da banquisa — bancos de gelo formados pelo congelamento da água do mar — aumentando a formação de icebergs. Com este fenômeno, os negócios estão indo bem, mas, do iceberg aos estabelecimentos, os dias são longos e o trabalho é árduo.
Em um dia, os navagentes podem percorrer mais de 20 quilômetros para chegar a um iceberg registrado no satélite. Uma vez ao pé da colossal parede branca, Kean retira seu rifle, aponta e atira várias vezes para que um pedaço do iceberg saia. Nem sempre os disparos funcionam de primeira.
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