
08/08/2019
Na Rua Belo Jardim, no Galeão, na Ilha do Governador, fica a Diretoria de Saúde da Aeronáutica. Como um contrassenso, o mau cheiro e a contaminação acabaram com o que, no passado, foi um balneário ali: a Praia de São Bento, que hoje recebe despejo de esgoto em pelo menos seis pontos. Essa é uma gota d’água de um mar de problemas que se constata em números. No último ranking do saneamento básico, do Instituto Trata Brasil, entre as cem maiores cidades brasileiras, o Rio despencou da 39ª para a 51ª posição. Especialistas apontam o aumento da favelização, a fiscalização deficiente e o pouco investimento em obras para ampliar as redes de água e esgoto no município como os principais fatores que contribuem para o atual cenário. Mesmo diante do quadro, a Cedae aplicou 12,34% de reajuste de tarifa em 2018 e já solicitou à Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Rio (Agenersa), autorização para novo aumento — de 8,8% — este mês.
A marcha à ré ocorre num momento em que se discute a privatização da Cedae — responsável pela água em toda a capital e pelo esgoto em 138 dos 160 bairros do Rio. A companhia é lastro de um empréstimo a ser quitado em dezembro do ano que vem. Até lá, o estado precisa conseguir cerca de R$ 4 bilhões para saldar a dívida.
— Gastaram uma verba enorme para despoluir a Baía de Guanabara , mas não adiantou nada. Há 30 anos, fui muito à Praia de São Bento — lamenta o porteiro Sebastião Souza Braga.
Fonte: O Globo
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