
01/08/2019
Defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, o projeto de transformar a Estação Ecológica de Tamoios, na Ilha Grande, em uma "Cancún brasileira" poderia dobrar de 2 milhões para 4 milhões o número de turistas que visitam a região todos os anos. A estimativa é de Ulisses Covas, presidente do Angra e Ilha Grande Convention & Visitors Bureau. Aguardada pelo setor hoteleiro, a medida preocupa ambientalistas, que temem que mudanças agravem problemas como a favelização e a falta de saneamento básico na região.
- Temos hoje um potencial turístico maior que o de Cancún, mas nosso setor precisa se tornar prioridade e acho que é a isso que o presidente se refere em suas declarações. O turismo precisa ganhar uma maior prioridade econômica na nossa região, com investimentos em infraestrutura que não tenham impacto negativo para o meio ambiente. Não é absurdo estimar que o número de turistas que vêm à Angra poderia dobrar caso certas regras fossem alteradas - afirma Covas.
De acordo com ele, a flexibilização de normas como a que proíbe intervenções de grande porte no raio de 1 quilômetro de distância de cada ilha poderia permitir a construção de píeres e outros equipamentos que potencializariam a capacidade dos hoteis da região. Hoje, há seis resorts na Baía da Ilha Grande e um levantamento de 2009 apontava a existência de cerca de 11 mil leitos na região.
- Não somos a favor do fim da área de preservação, mas da flexibilização das regras. O turismo pode ser uma ferramenta a favor da proteção ambiental - diz Covas.
Em entrevista ao GLOBO publicada nesta quarta-feira, Bolsonaro disse que há empresários dispostos a investir "bilhões" na construção de resorts na Baía da Ilha Grande. De acordo com ele, executivos dos Emirados Árabes, de Israel, do Japão e de outras países já demonstraram interesse. A intenção de transformar a região em uma "Cancún brasileira" foi manifestada pelo presidente pela primeira vez em 8 de maio . Entretanto, ele precisa que o Congresso aprove uma lei para que a medida possa ser posta em prática.
Antes de assumir o cargo, em 25 de janeiro de 2012, Bolsonaro foi multado em R$ 10 mil por pesca ilegal na Estação Ecológica de Tamoios.
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