
16/07/2019
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, nomeou a engenheira agrônoma e produtora rural Maira Santos de Souza, de 25 anos, como chefe do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no Litoral Sul do Rio Grande do Sul. O parque é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e, até abril de 2019, contava com um chefe ligado ao ICMBio.
Filha de fazendeiros conhecidos na região de Mostardas, Maira trabalha na propriedade de arroz e soja da família. Ela foi indicada pelo deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), que também é presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária.
Ao G1, o deputado disse que alguns nomes foram elencados a partir de uma demanda dos próprios produtores da região que pediram alguém de confiança para o cargo. Maira acabou sendo a escolhida.
"Quando o ministro esteve na Lagoa do Peixe, ele conversou com os produtores que estavam lá em virtude de que o pessoal do ICMBio não acompanhou a audiência. E os produtores pediram que para poder fazer uma mediação correta precisava ser alguém da região", justifica Moreira.
O deputado diz que o parque foi criado de forma irregular, sem participação de moradores. Segundo o parlamentar, a unidade de conservação não conta com um plano de manejo e apenas parte dos moradores do entorno foram indenizados. Diante dessa situação, os produtores rurais defendem duas alternativas.
"Ou de continuar como parque e estabelecer um plano de manejo, e a utilização turística para ter retorno, já que a terra deles está sem valor, e eles não conseguem vender em virtude desse problema. Ou então uma decisão que eles querem transformar em área de preservação ambiental, porque aí o plano de manejo permite que eles possam utilizar a terra adequadamente", detalha Moreira.
O Jornal "O Estado de São Paulo" teve acesso ao currículo de Maira. Nele, segundo o veículo impresso, consta que ela descreve como única experiência profissional seu trabalho na fazenda da família.
O G1 entrou em contato com Maira, que disse que prefere se manifestar somente quando assumir a posição. Mas aceitou falar sobre sua experiência.
"Sou formada em agronomia. Sempre trabalhei no meio rural, durante minha formação fiz estágio no Instituto Riograndense do Arroz. Digo com toda a certeza que ninguém mais que nós, produtores e pescadores, queremos e zelamos pelo nosso Parna [parque nacional] e região", afirma.
A Associação Nacional dos Servidores Ambientais (Ascema), em nota, diz que a nomeação da jovem produtora rural viola os princípios de de impessoalidade e moralidade na gestão pública.
A matéria completa pode ser lida no G1
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