
16/07/2019
Aproximadamente 15 milhões de pessoas vivem e trabalham em vastos aterros sanitários municipais ao redor do mundo, revirando o lixo diariamente em busca de sucata que podem vender.
Essas verdadeiras "cidades de lixo" são formadas por barracos feitos de madeira, chapas metálicas e plástico. As famílias vivem entre pilhas de lixo hospitalar e eletrônico, resíduos domésticos e vidro quebrado, até mesmo produtos tóxicos.
Essas pilhas de lixo são naturalmente mais propensas a deslizamentos - uma vez que essas montanhas instáveis de resíduos podem desmoronar de repente sem aviso prévio.
O lixão de Payatas, na periferia de Manila, uma das maiores "cidades de lixo" das Filipinas e lar de quase 10 mil pessoas, desabou em 2000, provocando um deslizamento de terra de 30 metros de altura e 100 metros de largura que deixou mais de 200 mortos.
Em 2015, um desmoronamento de terra varreu um enorme depósito de lixo nos arredores de Adis Abeba, capital da Etiópia, matando mais de 100 pessoas e destruindo casas improvisadas.
E no Brasil, o caso mais famoso foi o deslizamento no Morro do Bumba, em Niterói, em 2010, causado por um temporal, e que destruiu uma favela erguida sobre um antigo lixão, deixando pelo menos 48 mortos e centenas de desabrigados.
A taxa de sobrevivência das vítimas deste tipo de desastre é baixa, dada a natureza do material e o potencial de o gás metano se acumular dentro de bolsões de ar - envenenando quem estiver preso dentro deles.
E o futuro nos reserva muito mais lixo: de acordo com o relatório "What a Waste" do Banco Mundial, a população global deve gerar 3,4 bilhões de toneladas de lixo anualmente até 2050 - um aumento significativo em relação aos 2,01 bilhões de toneladas atuais.
Um grupo de pesquisadores australianos desenvolveu recentemente um software capaz de detectar deslizamentos com duas semanas de antecedência, dando aos moradores tempo de deixar os aterros sanitários e aos engenheiros a oportunidade de reforçar o terreno.
O sistema de inteligência artificial usa matemática aplicada para ajudar a identificar sinais de um desabamento iminente - como rachaduras minúsculas e movimentos sutis que prenunciam um desmoronamento violento.
A expectativa é que sistemas de inteligência artificial como este possam um dia ajudar a monitorar as encostas destas "cidades de lixo" e evitar que desastres se repitam.
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