
09/07/2019
Não se discute mais os impactos econômicos, sociais, ambientais e sobre a saúde da população decorrentes das queimadas. Ao lado do uso de combustíveis fósseis, elas são igualmente responsáveis pelas emissões de CO2, principal responsável pelo aquecimento global. O Brasil é um dos países mais afetados do mundo pelas queimadas, particularmente as que ocorrem na Amazônia e no Cerrado, um bioma similar à Savana, cuja composição, estrutura, abundância e diversidade de espécies são modeladas por incêndios recorrentes.
No artigo Impactos da meta de aquecimento global de 1,5°C no futuro das áreas queimadas no Cerrado brasileiro, publicado na Elsevier, a pesquisadora Renata Libonati, do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), alerta para a importância do esforço de todas as nações em atingir a meta de aquecimento global em no máximo 1,5° C acima dos valores pré-industriais. O estudo foi desenvolvido em cooperação com pesquisadores das universidades de Lisboa e de Munique. A meta foi estabelecida no Acordo de Paris em resultado de recomendações do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e com as projeções de modelos físicos e matemáticos e observações dos impactos referentes ao aquecimento atual de quase 1°C. O aumento de 1,5°C na próxima década é o limite para que o planeta sofra menos os impactos negativos – tanto em intensidade quanto frequência – de eventos extremos na disponibilidade de recursos, sobre os ecossistemas a biodiversidade, e para garantir segurança alimentar, entre outros.
Segundo a pesquisadora, a fórmula para atingir esta meta é mais que conhecida: descarbonizar a economia global, ou seja, substituir ao máximo os combustíveis fósseis por energia renovável e reduzir a prática de queimadas. À frente de pesquisas sobre o assunto há alguns anos, Renata já foi contemplada em edital da FAPERJ, de Apoio a Projetos Temáticos no Estado do Rio de Janeiro, em pesquisa coordenada pelo professor do Departamento de Meteorologia (IGEO/UFRJ) Leonardo de Farias Peres, e conta com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Instituto Serrapilheira. Ela explica que assim como o triângulo do fogo, que representa os três elementos necessários para iniciar uma combustão, combustível, ignição e oxigênio, no que se refere ao clima, o triângulo é composto pela vegetação, a ação humana e a atmosfera. Considerando que a vegetação pode ser manejada de forma a garantir queimadas mais controladas, que a informação e a educação podem direcionar a ação humana e a atmosfera é previsível, o grupo de estudos fez uma projeção do que pode ocorrer no Cerrado a médio e longo prazo, sem considerar a ação humana e as políticas públicas.
A pesquisa, baseada em dados de satélites, incluindo os da Nasa – agência do governo federal dos Estados Unidos responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial –, busca analisar o impacto e a vulnerabilidade do cerrado às mudanças climáticas. Quanto o clima pode influenciar na incidência de fogo? Essa foi a pergunta inicial da pesquisa. E a resposta é impactante: na última década (2003 a 2017), o clima influenciou 71% das queimadas. A partir desta constatação, a pesquisa partiu para a adoção de um modelo estatístico capaz de fazer a projeção da área queimada do Cerrado considerando modelos climáticos para 50 e 100 anos, usando indicações de três cenários delineados pelo IPCC.
Leia mais no site da Faperj
Onças, gatos-do-mato e até filhotes roubam a cena em monitoramento no Parque Nacional de Itatiaia; vídeo
28/07/2026
O que é biodiversidade?
28/07/2026
Fazendeiro é condenado a recuperar área desmatada e pagar R$ 11,9 mil por danos ambientais em MG
28/07/2026
Protect Paradise já reciclou 7,5 toneladas de plástico em Noronha
28/07/2026
Mais de 80% das áreas protegidas da Amazônia tiveram desmatamento zero
28/07/2026
Número de espécies exóticas de moluscos no Brasil aumenta 215% em 15 anos
28/07/2026
