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Turismo, tecnologia e ´ciência cidadã´ já identificaram pelo menos 400 onças-pintadas no Pantanal

04/07/2019

A onça-pintada Juru é um macho de cinco anos e 120 quilos que, em 12 de maio, passou boa parte da tarde de domingo relaxada em uma pedra, avistando seres humanos passeando de barco (assista no vídeo acima). Ela vive em Porto Jofre, uma localidade em Poconé (MT) onde, segundo especialistas, está a maior concentração no mundo de onças-pintadas habituadas à presença humana. Só ali, pelo menos 145 onças diferentes já foram avistadas desde 2013, mas um levantamento feito pelo G1 com outros projetos de pesquisa mostra que, no Pantanal, pelo menos 400 exemplares do maior felino das Américas foram identificados nesta década.
O número total, porém, está muito aquém da estimativa populacional das onças pantaneiras. Um artigo publicado em 2018 por um pesquisador mexicano, usando dados de 117 estudos com armadilhas fotográficas entre 2002 e 2014, indica que a população aproximada de onças em Mato Grosso era de pelo menos 762.
Esse tipo de evidência só anima os "amigos da onça" de várias regiões do Pantanal, que atualmente aliam a pesquisa científica ao ecoturismo, onde os visitantes trazem na bagagem máquinas fotográficas em vez de varas de pesca, e levam para casa apenas imagens e memórias.
Se entre elas estiver um avistamento da mítica Panthera onca, as chances de os turistas deixarem gorjetas e planejarem um retorno aumento. Além disso, mesmo para quem mora ali, o encontro com uma onça nunca deixa ninguém impassível. O G1 Natureza percorreu a região e ouviu mais de 40 pessoas de todas as idades e origens, e animou diversos "causos de onça" compartilhados por elas.
O levantamento do G1 foi feito junto a seis iniciativas que atuam no Pantanal conduzindo pesquisas com a fauna e/ou incentivando o ecoturismo de observação.
Os especialistas dizem que as onças costumam se locomover dentro de uma área de cerca de 70 km². Como quase todas as iniciativas são realizadas a distâncias maiores do que essa umas entre as outras, são grandes as chances de que as onças que circulam por um desses perímetros não ocorra em outro.
Em quase todos os casos, a principal metodologia utilizada são as armadilhas fotográficas (ou "camera trap"). Acoplado a árvores, o equipamento é acionado automaticamente pelo movimento, e é capaz de registrar o comportamento de animais em vídeo ou foto, de noite ou de dia, sem que seres humanos espantem o animal. Há cerca de cinco anos, essa tecnologia começou a ser introduzida no Pantanal para auxiliar a coletar dados, e hoje há dezenas delas alimentando com dados os conservacionistas da biodiversidade pantaneira.
Criado em 2013 pela zoóloga americana Abigail Martin, de 28 anos, o Jaguar ID Project (JIP) chegou na semana passada à marca de 145 indivíduos da espécie identificados em Porto Jofre. Ele aproveita a "ciência cidadã" e coleta fotografias e vídeos de onças registrados por visitantes e moradores locais. Quem batiza o novo animal é o próprio turista que o fotografou pela primeira vez.
Foi o caso do Juru, a onça registrada pela reportagem do G1. Muitas onças têm nomes inspirados em línguas indígenas ou curtas e de fácil pronúncia, mas também há exemplos divertidos, como o Mick Jaguar, um macho que, por causa de uma deficiência visual, ainda ganhou os apelidos de Cegão e Pirata.

A matéria na íntegra pode ser lida no G1

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