
02/07/2019
O ano de 2019 marca uma década de apoio da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio) aos pequenos produtores de leite da cidade do Carmo, na Região Serrana fluminense. Com foco no controle sanitário e na qualidade do leite, o trabalho se baseou no tripé sanidade, alimentação e genética. Envolveu desde a orientação para uma alimentação adequada e o melhoramento genético ao controle sanitário, em especial contra a tuberculose e brucelose bovinas, e o controle da mastite. A coordenação das atividades foi de responsabilidade da pesquisadora Leda Maria Silva Kimura, que ao longo desse período contou com cinco programas de auxílio da FAPERJ, além do Banco Mundial.
A iniciativa é a primeira do estado do Rio de Janeiro a conceder a certificação de propriedades de agricultores familiares, com oferecimento de exames e vacinação gratuitos, o que tornou Carmo município modelo do estado em sanidade animal. O conjunto dessas ações resultou na produção de queijo minas tipo frescal elaborado exclusivamente com leite proveniente das propriedades certificadas, que foi identificado com o “Selo de Qualidade Sanitária” aprovado e chancelado pelo Ministério da Agricultura (Mapa), pela Secretaria de Estado Agricultura e pela Pesagro-Rio.
O conjunto de ações realizadas vai ao encontro das novas determinações da lei número 122/2018, aprovada na última terça-feira, 25 de junho, pelo Senado Federal. A nova regulamentação para a produção e comercialização do queijo artesanal permite a produção do queijo a partir de leite cru, que não passe pelos processos de pasteurização ou esterilização. No entanto, para comercializar a sua produção, a queijaria precisará ser certificada como livre de brucelose e tuberculose. O produtores de queijo e leite usados como matéria prima precisarão participar de programa de controle da mastite animal, implementar programa de boas práticas agropecuárias, controlar a qualidade e da água usada na ordenha e rastrear os produtos.
O perfil dos atendidos pelos projetos é de agricultores com até 50 cabeças de gado, e que muitas vezes não têm muitos recursos financeiros para se adequar a todas as medidas sanitárias e, no passado, conta Leda, chegavam a não se candidatar aos programas de controle de zoonoses oficiais, como o Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose (PNCBET) para não correrem o risco de serem obrigados a sacrificarem os animais. “Hoje eles avisam quando uma nova bezerra nasce e um médico veterinário habilitado pelo Ministério de Agricultura é enviado para a propriedade com a finalidade de aplicar a vacina”, explica a médica veterinária. Nesse caso, mesmo o custo da vacina sendo baixo, é necessário que alguém treinado faça a aplicação sob o risco de contaminação com a vacina de brucelose.
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