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Pressão faz proposta de ´pesque e solte´ para o turismo de pesca no Pantanal ser adiada para 2020

27/06/2019

Em uma manhã de sábado na BR-262 em Miranda (MS), três homens fugiam do sol de maio sob a sombra das árvores. Esperavam compradores para as iscas de pesca que mantinham em suas bicicletas estacionadas às margens da rodovia. Mas os carros passavam sem parar, o que para eles era a prova da queda no turismo do qual tiram o sustento. Em um estado que decidiu instituir o "pesque e solte" a partir de 2020, esses vendedores já temem perder o negócio para o desinteresse de quem está acostumado a visitar o Pantanal e levar seu peixe para casa.
A chamada "cota zero" para os turistas mobiliza o debate no setor desde janeiro deste ano em Mato Grosso do Sul. A ideia é que todos os peixes capturados pelos pescadores com licença amadora passem a ser devolvidos ao rio.
O governo chegou a sugerir que a medida fosse implementada ainda em 2019. Mas protestos por parte dos empresários de turismo fez com que o governo estadual recuasse e apenas reduzisse a cota atual de dez quilos para cinco quilos. Os turistas também podem continuar levando para casa um exemplar de peixe e cinco piranhas – um peixe predador com ciclo de reprodução distinto, e que existe em abundância na região.
Na série de reportagens do Desafio Natureza sobre caça e pesca ilegal, o G1 visitou os principais destinos da pesca turística no Pantanal e ouviu as opiniões contra e a favor da mudança.
Defendida pelo governo e pela maior parte dos empresários de turismo de pesca de Corumbá (MS) e de Cáceres (MT), as duas cidades com o maior número de visitantes, ela é vista com preocupação em outras regiões, como a de Miranda e Aquidauana (MT). O motivo é simples: ali, os rios têm água mais barrenta, enquanto o dourado, o peixe mais cobiçado pelo pescador movido apenas pela emoção da fisgada, prefere as águas limpas.
"Foi o pior movimento nos últimos 20 anos pra gente", reclamou Gilson Tomicha Xavier, um dos comerciantes à beira da BR-262. Ele diz que vende iscas como tuvira, caranguejo e minhocoçu para turistas que viajam de carro para pescar no Rio Miranda.
A situação descrita por ele é corroborada alguns metros adiante, na Rua Barão de Rio Branco. "Nós estamos em maio, plena temporada, clima ótimo, rio muito bom de peixe. E vocês podem observar que não tem turista nenhum aqui na loja", afirmou Carlos Eduardo Murad de Góes, conhecido como Alemão e proprietário de uma loja de artigos de pesca e de uma pousada na beira do rio.
O turismo de pesca é atualmente uma das principais atividades econômicas da região e funciona durante oito meses por ano – entre novembro e fevereiro, no período de reprodução dos peixes, o defeso ou piracema, é proibido pescar no Pantanal sulmatogrossense.

A matéria na íntegra pode ser lida no G1

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