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Projeto enfrenta síndrome da floresta vazia e devolve espécies às matas

25/06/2019

No mês passado, 49 jabutis partiram de Cuiabá em oito voos diferentes, em 16 caixas de madeira feitas sob medida. Os cascos dos bichos, que têm manchas amarelas, característica da espécie jabuti-tinga, foram marcados com números, colados com massa de moldar, e, em breve, receberão radiotransmissores.
Em julho, começa a segunda parte da viagem dos quelônios do Mato Grosso rumo ao Parque Nacional da Tijuca, no Rio: eles deixarão o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), do Ibama, em Seropédica, onde desembarcaram no mês passado, rumo a um cercado de aclimatação no meio da mata. Passarão alguns meses ali até, enfim, serem reintroduzidos, livres, na floresta.
Os jabutis serão a terceira espécie no foco do projeto Refauna, criado dez anos atrás por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), e que hoje tem parcerias com diversas instituições, como o Parque Nacional da Tijuca, o RioZoo, a Fundação Oswaldo Cruz, a PUC-Rio e o Ibama.
Desde a criação do projeto, cutias e bugios voltaram à Floresta da Tijuca, para ajudar a tratar um mal de que padece aquela vegetação, a síndrome da floresta vazia. O problema, resultado de desmatamento, caça e outras ações predatórias do homem, é recorrente em florestas tropicais — abundantes em vegetação e pobres em fauna.
Para combatê-lo, os biólogos do projeto se firmaram na ideia de “refaunação”, termo cunhado em 2010 por Fernando Fernandez e Luiz Gustavo Oliveira Santos e diferente da definição original de “rewilding”. Dos anos 1990, o conceito americano criado pelos biólogos Michael Soulé e Reed Noss propõe como estratégia conservacionista reintroduzir na natureza animais de topo de cadeia, muitos extintos localmente há milhares de anos, com o propósito de reativar ecossistemas extintos.
Para o biólogo Fernando Fernandez, que dirige o Laboratório de Ecologia e Conservação de Populações da UFRJ, no entanto, o conceito original de “rewilding” seria problemático por uma série de motivos. Deslocar exemplares de uma espécie, muitas vezes ameaçada como os leões, de um local ao outro do planeta, por exemplo, pode aumentar os riscos para a população-fonte. Fernandez, por outro lado, propõe a “refaunação”, que inspira o nome e o trabalho do projeto de reintrodução de espécies na Floresta da Tijuca.

Saiba mais em O Globo

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