
06/06/2019
Mais do que uma data para celebrar, o 5 de junho, Dia Mundialdo Meio Ambiente , foi estabelecido em 1972 pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar as pessoas da necessidade de preservação do ecossistema do planeta. Com extensa orla, trânsito intenso, lagoa, áreas de mata, construções irregulares e lixo produzido em alta escala e muitas vezes descartado indevidamente, a Zona Sul une fatores que cotidianamente indicam a autoridades, moradores e visitantes que o Dia do Meio Ambiente deve ser todo dia.
Há quem faça sua parte, como os voluntários que tentam limpar a Lagoa Rodrigo de Freitas e os integrantes das oficinas e palestras marcadas para a semana que vem na Marina da Glória e no evento de moda Rio Ethical Fashion, no Istituto Europeo di Design (IED), na Urca, e no Oi Casa Grande, no Leblon.
Uma simples ida à praia já deveria acender o sinal de alerta. Tradicionalmente liberadas em quase todos os trechos para banho na maior parte das análises feitas pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Leme, Copacabana e Leblon vêm encarando este ano uma reviravolta nas boas marés. E ainda convivem com línguas-negras.
No Leme, onde o problema tornou-se recorrente, de acordo com o Inea apenas no mês de janeiro, com exceção de alguns dias, o mar esteve em condições de banho. Acostumado a acompanhar, inclusive de helicóptero, a situação ambiental da cidade, o biólogo Mário Moscatelli diz que nos sobrevoos pela região do Leme já observou duas potenciais fontes de poluição.
— Uma delas é entrada de água, vinda da Baía de Guanabara, trazida pela corrente de vento, durante o período de maré baixa. E a outra vem de uma galeria de água pluvial por onde, vira e mexe, ocorre despejo de esgoto. Misteriosamente nunca descobrem quem é o responsável; um bota a culpa no outro, e efetivamente não se resolve nada — destaca.
A aposentada Maria Helena Fragoso reforça que a língua-negra vinda da galeria de água pluvial é o que deixa o mar impróprio para o banho. Ela, que mora na Gávea e frequenta a Praia do Leme há 30 anos, não fica mais na areia para tomar banho de sol.
— Não me arrisco a entrar no mar nessas condições e me recuso a me sujar de areia sem tomar banho depois. Deito aqui nesse banquinho no calçadão, pego o meu bronze e vou para casa. Venho aqui quase todos os dias, por volta das 5h30m. É uma pena a praia estar imprópria para banho, isso com certeza é de responsabilidade da Cedae. Aquela língua-negra é por causa do esgoto jogado irregularmente — diz.
De acordo com a Cedae, a companhia não realiza despejo de esgoto em galerias de águas pluviais. A concessionária acrescenta, ainda, que opera normalmente em toda a região da Zona Sul, “sem registros de intermitência ou vazamentos”.
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