
28/05/2019
Por trás do mar cristalino que tem chamado atenção dos banhistas neste outono pode estar um fator nada agradável. O monitoramento realizado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) mostra que o padrão "caribenho" não garante a qualidade da água. No Leme, por exemplo, onde até uma tartaruga foi vista perto da arrebentação nesta sexta-feira, a balneabilidade está impactada desde o início de fevereiro.
Este ano, o trecho na altura da Rua Aurelino Leal só esteve próprio para banho em janeiro. Mesmo assim, uma das amostras de água coletada naquele mês já apresentava resultado negativo. Neste fim de semana, o Leme é uma das quatro praias impróprias para banho. Urca, Botafogo e Flamengo completam a lista.
Quem gosta de nadar no Leblon também deve ter especial atenção. Este ano, os trechos na altura das ruas Rita Ludolf, Bartolomeu Mitre e Afrânio de Melo Franco estiveram impróprios na maior parte do tempo. Apenas em janeiro não houve advertência. Durante fevereiro, março e abril, a água esteve imprópria entre a Bartolomeu Mitre e a Afrânio de Melo Franco. Na altura da rua Rita Ludolf, o resultado dos testes apresentou boa balneabilidade apenas sete vezes. Neste fim de semana, o trecho continua impróprio, mas o banho é permitido nos demais pontos.
De acordo com o biólogo marinho e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Denis Abessa, muitas vezes a água imprópria não tem a cor afetada.
— A gente tende a achar que quanto mais clara, mais limpa. Não necessariamente a água turva é pior. Isso depende de uma série de fatores, como corrente, esgoto, chuva e vento.
Para o especialista, os banhistas devem ficar alertas para evitar problemas de saúde.
— A língua negra dilui, mas os coliformes fecais demoram um tempo a mais para serem inativados. Ou seja, a água parece que está boa mas não está, e esse é o perigo. O banhista olha para aquele cenário e acha que está boa para banho quando, na verdade, ele está exposto a bactérias que podem causar micoses, diarreias e até infecções mais graves — explicou.
O Inea informou que dentre os diversos fatores que podem afetar a balneabilidade de uma praia, destacam-se sua localização geográfica (praias no interior de baías e praias oceânicas), a pluviosidade (incidência de chuvas), a proximidade com o deságue de rios e canais, e o extravasamento de galerias pluviais.
A praia do Leme, explicou o Inea, possui uma saída de galeria de água pluvial em frente a Rua Aurelino Leal que, na ocorrência de chuvas, extravasa para o mar, o que contribui para deixá-la em condições desfavoráveis ao banho. Já a praia do Leblon possui a influência das saídas dos canais da Rua Visconde de Albuquerque e do Jardim de Alah. Quando as comportas desses canais são abertas, a água escoa para o mar, afetando a balneabilidade.
O órgão realiza coletas de água nas praias do Rio e de Niterói duas vezes por semana, às segundas e quintas. A avaliação das condições de balneabilidade das praias é feita com base na resolução Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), em que são verificados os níveis de bactérias de origem fecal (coliformes fecais ou enterococos) nas amostras coletadas de água.
Fonte: O Globo
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