
28/05/2019
A Estação Ecológica de Tamoios (Esec Tamoios), que o presidente Jair Bolsonaro quer transformar em uma "Cancún brasileira", ocupa menos de 6% da baía de Angra dos Reis (RJ) e abriga espécies ameaçadas de extinção. O conjunto de ilhas também serve como refúgio para animais marinhos e como laboratório natural, que já foi usado em mais de 130 pesquisas nos últimos 11 anos.
Em visita ao Rio de Janeiro, em 8 de maio, o presidente afirmou que a estação ecológica "está demais. Não preserva absolutamente nada". Para ele, o turismo poderia trazer bilhões de reais por ano à região. Cancún, a cidade mexicana usada como referência, tem resorts de luxo e recebe milhões de visitantes todo ano, mas enfrenta desafios ambientais, como ocupação desordenada e redução significativa do recife de corais.
Em 2012, Bolsonaro foi multado em R$ 10 mil pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) ao ser flagrado pescando num barco em uma área que integra a Esec Tamoios. Em dezembro do ano passado, a multa foi anulada e, em 2019, o servidor responsável pela fiscalização foi exonerado (saiba mais abaixo).
Atualmente, não é permitido visitar, pescar, mergulhar, construir ou ancorar barcos dentro da estação ecológica. A intenção é preservar as espécies ameaçadas, como a garoupa, o cavalo-marinho, o boto cinza, o mero e o peixe-anjo, além de garantir a circulação de animais migratórios pela região, como pinguins.
De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), mais de 200 espécies de peixes vivem ali. Além da fauna marinha, o instituto registra ainda a presença de aves e plantas raras, como alguns tipos de orquídeas e bromélias.
A Estação Ecológica de Tamoios é uma unidade de conservação federal criada em 1990 para o monitoramento dos impactos das usinas nucleares de Angras dos Reis na região. Administrada pelo ICMBio, a área é formada por 29 ilhas, lajes e rochedos, incluindo seu entorno marinho no raio de 1 quilômetro. A unidade de conservação abrange os municípios de Angra dos Reis e Paraty.
Entre as instituições que realizam estudos ali estão a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a Universidade de São Paulo (USP) e o Museu Nacional.
Mariana Batha Alonso, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é uma das pesquisadoras que usa o local como laboratório.
A matéria pode ser lida no G1
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