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O papel das abelhas sem ferrão no cultivo do tomate

09/05/2019

A pesquisadora Carmen Pires, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, é coordenadora de uns dos projetos de pesquisa selecionados por meio da Chamada Pública nº32/2017 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e financiados em parceria com Ibama, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.).
Em parceria com a Embrapa Meio Ambiente, a Embrapa Amazônia Oriental, a Embrapa Instrumentação e a Universidade Federal de Viçosa, os pesquisadores investigam a polinização do tomateiro em casa de vegetação por espécies de abelhas sem ferrão. Embora a cultura não seja dependente de polinização, estudos indicam que ela pode se beneficiar da presença de polinizadores, em aspectos relativos tanto ao tamanho quanto à qualidade dos frutos. Estudos anteriores apontam que a frutificação da cultura aumenta até 12%, os tomates podem pesar até 41% a mais e gerar 11% mais sementes.
"A fauna brasileira é riquíssima, com centenas de espécies de abelhas sem ferrão identificadas, mas que ainda não são usadas na polinização agrícola porque conhecemos pouco sobre elas", afirma. "Nosso objetivo com esse trabalho é testar três espécies selecionadas, que são de fácil obtenção, criação e manejo e que já têm algum registro de avaliação na polinização em cultivos protegidos, e desenvolver metodologia de produção in vitro e técnicas de manejo adequadas". As espécies são Frieseomelitta varia (moça branca), Melipona quadrifasciata (mandaçaia) e Scaptotrigona postica (mandaguari).
Os pesquisadores vão avaliar a capacidade de adaptação das abelhas às condições de casas de vegetação. As espécies melhor aclimatadas ao confinamento serão, na sequência, analisadas em casas de vegetação em áreas de produção comercial.
Antes mesmo da Chamada Pública, a pesquisa já havia sido iniciada, incentivada pelo contato estabelecido com um produtor de tomate orgânico no Distrito Federal. Ele, que havia feito cursos no exterior para uso de abelhas sem ferrão na produção do tomateiro, não encontrou no Brasil informações sobre espécies de abelhas nativas que pudessem beneficiar seu cultivo. Em busca de orientação, recorreu à Embrapa.
Dessa troca de experiências, veio então a pesquisa e, posteriormente, o edital do CNPq, que tornou possível concretizar um estudo mais robusto, com a articulação com mais parceiros e em diferentes setores.
Atualmente, os pesquisadores estão realizando testes com diferentes materiais usados para a cobertura das casas de vegetação, etapa que conta com a colaboração de indústrias de filmes plásticos. "Sabemos que os materiais de cobertura podem influenciar o comportamento dos insetos, por isso as avaliações são importantes".
Concluída essa fase, os pesquisadores vão avaliar o desempenho das três espécies de abelhas sem ferrão selecionadas na polinização do tomateiro em ambiente controlado e a valoração do serviço de polinização.

Saiba mais no site do CNPq

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