
07/05/2019
Prevenir é melhor que remediar. O velho ditado não é válido apenas para o cuidado com a saúde, mas também quando se trata de diminuir os impactos dos desastres ambientais, cada vez mais frequentes diante das mudanças climáticas agravadas pela ação humana. Ainda que não seja possível prever a magnitude das enchentes e secas, de acordo com cientistas que se dedicam ao assunto, essa mitigação em território brasileiro tem a seu favor o fato de que a maioria dos desastres registrados por aqui são aqueles chamados de "cíclicos". Isso significa que os estragos provocados pelas chuvas de verão ou pela seca podem ser diminuídos com planejamento e ações anteriores.
As pesquisas relacionadas à Logística Humanitária são relativamente recentes e ganharam força após o tsunami ocorrido em 2004 na Indonésia, e que levou a morte de 230 mil pessoas. A professora Adriana Leiras, do programa de Engenharia Industrial da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), realiza pesquisas na área desde 2011. Contemplada no programa de fomento à pesquisa Jovem Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, ela se dedicou nos últimos três anos a fazer estudos na área para preencher as lacunas nos três elementos centrais, necessários para fundamentar respostas aos desastres: mapear processos e estratégias de preparação e resposta a desastres; avaliar teoricamente sistemas de alerta e alarmes instalados em áreas de risco; e analisar perdas e danos em desastres.
Em um artigo em que fazem uma revisão bibliográfica sobre o tema, publicado em fevereiro no periódico Journal of Disaster Risk Reduction, Adriana e colegas chamam a atenção para a importância de ações de prevenção, o que não só promove redução de danos como causam um menor impacto econômico. De acordo com a revisão realizada em artigos acadêmicos e relatórios de instituições governamentais ou não (a chamada "literatura cinzenta") dos Estados Unidos, a cada dólar investido em prevenção, 15 são poupados em reconstrução. O trabalho também pontua a ausência da inclusão dos gastos governamentais com as operações de socorro no cálculo geral. De acordo com estudo publicado em 2017, com dados de 1995 a 2014, o Brasil gasta uma média de R$ 800 milhões por mês com desastres naturais. A publicação é do Centro de Estudos e Pesquisas em Engenharia e Defesa Civil, da Universidade Federal de Santa Catarina (Ceped/UFSC), com o qual Adriana mantém diversas colaborações.
Leia a matéria no site da Faperj
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