
25/04/2019
Há 20 anos, a pesquisadora Maria Bernadete Silvarolla, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), trabalha para desenvolver um pé de café que tenha naturalmente baixíssimo teor de cafeína, desde a fase de cultivo.
Desse modo, o fruto não precisaria passar por processos químicos que reduzem seu teor da substância, mas que também podem afetar outras características, como o aroma.
— Uma pesquisa como essa requer um longo período até que se chegue a uma viabilidade comercial. Diria que estamos mais ou menos no meio do caminho — disse ela ao GLOBO.
As plantas que deram origem à pesquisa são provenientes de sementes da Etiópia que foram trazidas para o Brasil em 1963. Em 1999, Bernadete começou a buscar quais poderiam ter essa característica.
Em meio a mais de 2 mil pés de café etíopes, foram encontrados, quatro anos depois, três com teor de cafeína de 0,07%.
Para se ter uma ideia: um café descafeinado tem até 0,10% do componente; um tradicional, mais de 1%.
O problema é que apenas três plantas não garantem a viabilidade comercial dessa descoberta — era preciso gerar mudas que pudessem atender às fazendas produtoras.
Por isso, em 2003, teve início o cruzamento dessas plantas de baixo teor de cafeína com as sementes de café tipo arábica que já são comercializadas.
Mas um outro problema surgiu no caminho: entre o plantio e o nascimento dos primeiros frutos são necessários seis anos. E somente após sete gerações de cruzamentos é possível dizer que a planta já tem uma uniformidade genética estabelecida — ou seja, daí em diante, não deverá mais sofrer alterações de padrão.
Leia a matéria em O Globo
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