
16/04/2019
Há tempos a comunidade internacional de ambientalistas preocupados com as mudanças do clima esperavam pela entrada em cena do britânico Sir David Attenborough. Apresentador de programa, naturalista, considerado uma espécie de tesouro do Reino Unido, Attenborough se esquivava de tocar no assunto aquecimento global para evitar espantar seus ouvintes com notícias catastróficas. Mas esta relutância parece ter ficado no passado. Foi lançado este mês, pela Netflix, a série com oito episódios “Our planet”, feita em parceria com a organização WWF e narrada pelo britânico.
No documentário há imagens extasiantes da vida selvagem, do degelo na Antartida, da luta dos pinguins pela vida, do perigo por que passam várias espécies em extinção. E há, principalmente, uma séria mensagem sobre a urgência de se rever métodos de produção e consumo para enfrentarmos o maior desafio de nossa era, que alguns humanos andam teimando em fazer de conta que não existe.
Aos 92 anos, e com uma voz aveludada que o tornou célebre, tem dado entrevistas sobre o tema. Numa conversa com Christine Lagarde, do Fundo Monetário Internacional (FMI), ele explicou a ameaça real que vê nas imagens que descreve, uma era de extinção que varre o mundo natural:
"É difícil exagerar o perigo em que estamos", disse ele.
Aqui no Brasil, outro lançamento traz pensamentos mais complexos e imprescindíveis ao tema. Diferentemente de Attenborough, o economista e professor José Eli da Veiga decidiu abraçar a causa ambiental desde sempre, já tem vários livros sobre o tema e acaba de escrever “O Antropoceno e a Ciência do Sistema Terra” pela Editora 34. O evento para lançamento do livro vai acontecer amanhã, às 17h, no Museu do Amanhã (Rio de Janeiro). Estarei lá, mediando o encontro entre José Eli, o deputado estadual Carlos Minc e Sergio Besserman, presidente do Jardim Botânico, que promete ser bem dinâmico. A entrada é gratuita, mas tem que se inscrever no site do museu.
José Eli descreve em seu livro a importância de se estudar com afinco a proposta de uma nova era geológica, o Antropoceno, e o surgimento da Ciência do Sistema Terra, “que integra aspectos de diversas disciplinas para entender o funcionamento de nosso planeta e o impacto dos seres humanos sobre ele”. Se faço conexão com a série estrelada por Attenborough é porque tanto numa como noutra publicação há informações de sobra para fomentar a reflexão sobre o quanto o aquecimento global pode ser decisivo para o futuro da humanidade. E informação é tudo o quanto a população mundial precisa para se sentir estimulada a fazer mudanças.
No livro de José Eli há informações sobre o momento exato em que a expressão Antropoceno ganhou o mundo. Foi em 2000, quando o químico holandês e Prêmio Nobel Paul Crutzen, “em irritado repente”, balbuciara este termo durante importante encontro científico, no México, em que se cansara de ouvir menções de paleontólogos ao Holoceno. A diferença entre as duas eras é, como próprio nome diz, a preponderância das atividades humanas sobre o meio ambiente.
Não há, por enquanto, consenso entre a comunidade científica sobre o tempo certo em que se deve cravar a passagem de uma para outra era. Mas há chances de que isto venha a ocorrer no próximo congresso mundial de geologistas, em 2020.
A matéria pode ser lida no G1
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