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´Efeito manada´ nas redes sociais e ´economia disruptiva´ podem estimular turismo predatório

02/04/2019

Os números mostram que o mundo está viajando mais. De acordo com dados do Banco Mundial, foram 3,97 bilhões de viagens de avião em 2017. Em 2007, apenas dez anos antes, foram 2,2 bilhões – um crescimento de 80% no período. No entanto, o aumento do turismo em escala global acende sinais de alerta para os impactos negativos da atividade, inclusive sobre o meio ambiente.
A concentração do turismo em algumas centenas de cidades e países é o problema que mais chama atenção. E essa concentração, segundo especialistas, ocorre em partes por conta da popularização de tecnologias e redes sociais.
Até 2020, os 20 países mais visitados do planeta vão receber mais voos internacionais do que todo o resto do mundo somado, segundo um relatório do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, na sigla em inglês).
As cidades e atrações turísticas mais famosas não cresceram no mesmo ritmo que a indústria do turismo, que hoje já representa 10% do PIB mundial. Cidades históricas e cenários naturais populares que recebem milhões de visitantes continuam exatamente com o mesmo tamanho que tinham quando recebiam apenas milhares de turistas.
Segundo Clarissa Gagliardi, professora do departamento de turismo da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, as redes sociais têm papel fundamental no fenômeno da hiperconcentração do turismo. “São plataformas que garantem uma visibilidade nunca antes imaginada para os destinos”, avalia.
A viralização de uma foto nas redes sociais pode acarretar um aumento no fluxo de turistas sem que haja um planejamento prévio do destino para acomodar essa demanda, explica Gagliardi. Sem infraestrutura, os efeitos negativos do turismo predatório aparecem com ainda mais força.
Mas, apesar dos efeitos colaterais da busca por curtidas no Instagram e Facebook, a tecnologia também pode ser usada para descentralizar o turismo em grandes cidades.
Em Amsterdã, na Holanda, a administração pública está usando os dados do “Amsterdam City Card” – bilhete que inclui entrada para os principais museus e atrações turísticas da cidade – para combater o turismo predatório. Analisando o padrão de comportamento dos visitantes, a secretaria de turismo criou um aplicativo que envia alertas para o celular dos turistas quando uma atração está mais movimentada que o normal e sugere alternativas menos concorridas.

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