
19/02/2019
O grito da arara ecoa pelo sertão da Bahia nas primeiras horas do dia. O chamado vem de uma das 1.700 araras-azuis-de-lear que vivem na região do Raso da Catarina, na caatinga, o bioma mais biodiverso do planeta. Elas só existem nesta parte do mundo. Monogâmicas, voam em duplas ou em trio, quando o filhote ainda não se desprendeu dos pais. No amanhecer, elas saem em busca do licuri, um coquinho que cresce aos cachos em palmeiras da região. Chegam a percorrer até 60 km ao dia atrás de alimento. Ao entardecer, retornam à morada.
A aparente normalidade da cena esconde um problema: a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) está em perigo de extinção. Outros 182 animais da caatinga também estão ameaçados, como a onça-pintada e a parda, que quase desapareceram do semiárido nos últimos anos.
No caso das araras, os esforços para recuperar a população passam pela manutenção dos espaços nos quais elas vivem, pela educação ambiental e pela luta contra o tráfico de animais.
Para conhecer um pouco mais sobre estas ações, o G1 percorreu 1,6 mil km no sertão da Bahia e visitou as regiões do Raso da Catarina e do Boqueirão da Onça como parte do especial "Desafio Natureza", que nesta série de reportagens vai falar sobre espécies ameaçadas.
Na primeira parte da série, o tema abordado foi a produção de lixo em um lugar paradisíaco: Fernando de Noronha. A ilha está prestes a vetar o plástico, mas não tem coleta seletiva. O problema se agrava com o número de turistas, que está acima da capacidade.
Leia a matéria no G1
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