UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Descaso com enchentes matou 2.500 pessoas no país em vinte anos

12/02/2019

Estados e municípios brasileiros mapeiam frequentemente as áreas que apresentam risco de deslizamento após temporais , mas nas últimas duas décadas o trabalho não foi suficiente para levar o poder público a agir e evitar milhares de mortes decorrentes de enchentes.
Os mecanismos de análise não têm como consequência a prevenção: 2.572 pessoas morreram devido a deslizamentos de terra, tempestades e inundações no país de 1996 a 2016, segundo dados do Sistema Único de Saúde compilados pelo GLOBO. Com parte da população morando em habitações irregulares em encostas, o Rio está à frente da estatística, com 60% dessas mortes (1.542).
Devido aos mapeamentos feitos pelo poder público, as mortes são evitáveis, diz o geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos, ex-diretor do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Deslizamentos ocorrem em dois cenários: quando há ocupação de encostas perigosas ou construção irregular em morros. Em áreas diagnosticadas como de risco muito alto, diz o pesquisador, é preciso desocupar a região e disponibilizar moradia para a população.
— Já nas zonas de alto e médio risco, o aconselhado é estudar obras de contenção e drenagem para dotar a área de estabilidade. São medidas caras, dificilmente adotadas. As autoridades usam sirenes de alerta, que deveriam ter caráter emergencial, como única solução — afirma Santos.
Em 2010, a prefeitura do Rio contabilizou 18 mil residências construídas em áreas de alto risco. Logo após, fora da capital, ocorreu a maior tragédia relacionada a chuvas da história do país. Foram 918 mortos na Região Serrana devido às tempestades de janeiro de 2011.
Em dezembro de 2018, a Secretaria estadual de Defesa Civil verificou que ainda há cerca de 300 mil pessoas vivendo em 2.700 áreas de alto risco no estado, ou seja, locais que não deveriam ser habitados. Apesar do conhecimento do poder público, pouquíssimas obras estruturais são feitas.
A Prefeitura do Rio gastou R$ 224 milhões em drenagem, saneamento e proteção de encostas em 2018, uma queda de 58% em relação a 2013. Especificamente para combater enchentes, o corte na verba foi de 77%. Se a prevenção de deslizamentos envolve deslocar parte da população, para conter enchentes, é preciso investir no sistema de drenagem e melhorar a permeabilização do solo, com bosques, canteiros e reservatórios.
Na noite de chuva em que morreram sete pessoas, na semana passada, a Prefeitura do Rio decretou estado de crise às 22h15m, quando já chovia forte há quase duas horas. O sistema de sirenes não funcionou de forma eficiente. No Vidigal, onde uma pessoa morreu, os alarmes não foram acionados. Há ainda mais de 103 áreas consideradas de alto risco na cidade do Rio, nas quais geólogos recomendam desocupação.
Apesar das centenas de mortes relacionadas à chuva na história recente do Rio de Janeiro, o prefeito Marcelo Crivella disse que a chuva em fevereiro foi inesperada. Argumentou que a cidade está investindo em limpeza de bueiros, o que evitou que a tragédia fosse ainda maior.

A matéria pode ser lida em O Globo

Novidades

Vendaval turbinado que atingiu o Rio e São Paulo é a ´ponta do dedo do longo braço´ do El Niño; entenda

30/07/2026

Os fortes ventos que atingiram os estados de São Paulo e Rio de Janeiro eram a vanguarda de um siste...

VÍDEO: maior espécie de raia do mundo é registrada durante pesquisa com baleias no ES

30/07/2026

A maior espécie de raia do mundo foi registrada durante uma expedição científica realizada em alto-m...

Sucuri-amarela infestada de carrapatos impressiona no Pantanal; biólogo explica

30/07/2026

Uma sucuri-amarela, cobra símbolo do Pantanal de Mato Grosso do Sul, chamou a atenção de internautas...

Presença de golfinhos em Fernando de Noronha cai quase pela metade em dez anos

30/07/2026

Um dos símbolos de Fernando de Noronha, o golfinho-rotador frequentou bem menos o arquipélago no ano...

El Niño: governo prevê gastar até R$ 1,3 bilhão para enfrentar secas, chuvas intensas e incêndios

30/07/2026

O governo informou nesta quarta-feira (29) que prevê investir até R$ 1,3 bilhão em ações para enfren...

Mercúrio se acumula duas vezes mais rápido na Península Antártica, aponta estudo

30/07/2026

Mesmo distante dos grandes centros urbanos e industriais, a Península Antártica está acumulando merc...