
15/01/2019
O céu está cheio de estrelas que viraram gigantescos cristais depois de esgotarem seu combustível nuclear e assim “morrer”, afirma estudo publicado nesta quarta-feira na prestigiada revista científica “Nature”. Teorizado há cerca de 50 anos, o processo de solidificação de anãs brancas, restos incandescentes de estrelas como nosso Sol, teve seus sinais observados pela primeira pelo observatório espacial Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA).
As estrelas brilham graças aos processos de fusão nuclear que acontecem em seu interior, nos quais átomos menores e mais leves - inicialmente o menor deles, o hidrogênio - são unidos para formar átomos maiores e sucessivamente mais pesados - como hélio, carbono, oxigênio e outros, até o ferro -, liberando enormes quantidades de energia nessas reações.
Mas estes processos têm limites, que dependem de quão maciça era a estrela inicialmente. No caso de astros como o Sol, o núcleo perde a capacidade de fazer esta síntese na altura do carbono e oxigênio, lançando ao espaço suas camadas externas ainda compostas de elementos mais leves durante as fases finais de sua vida, quando se tornará uma estrela de um tipo conhecido como gigante vermelha.
O que resta então é um núcleo ainda incandescente formado basicamente de carbono e oxigênio, que sem a pressão “para fora” das reações nucleares encolhe e se aquece ainda mais, resultando então nas pequenas e densas estrelas conhecidas anãs brancas que ainda brilham por bilhões de anos enquanto esfriam. Neste processo, elas passam por uma transição de fase similar à da água se transformando em gelo, e foram evidências disso que os astrônomos encontraram nos dados do Gaia.
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