
29/11/2018
Promessa feita em fevereiro pelo prefeito Marcelo Crivella após uma chuva intensa que provocou alagamentos em diferentes pontos da cidade, o sistema de bueiros inteligentes deve, enfim, sair do papel. A prefeitura do Rio aguarda a chegada dos equipamentos para a instalação dos dispositivos. Ao todo, 1.200 bueiros serão contemplados pelo projeto, divididos em duas etapas. A expectativa da prefeitura é que os primeiros comecem a ser instalados a partir de dezembro deste ano. O custo é de R$ 1,4 milhão e, de acordo com a Secretaria municipal de Conservação e Meio Ambiente (Seconserma), será viabilizado por meio de medida compensatória — em outras palavras, sem custos adicionais aos cofres municipais, explicou a pasta.
Há nove meses, quando a promessa foi feita, a prefeitura do Rio explicou que o objetivo dos filtros é reter os resíduos sólidos que são depositados em bueiros e bocas de lobo, para facilitar a retirada e impedir que esses resíduos se encaminhem para os rios e que a obstrução provoque alagamentos pontuais. Quando o nível de obstrução chegar a 60%, um alarme será acionado — que pode ser por sistema de telefonia ou no Centro de Operações Rio (COR). Na sequência, equipes serão deslocadas para realizar a limpeza manual.
— Hoje de manhã estive falando sobre bueiros eletrônicos. E aí a gente vai limpar 2 mil bueiros, que serão comandados eletronicamente em áreas que costumam alagar. Porque no fundo, no fundo, o grande problema das nossas enchentes é lixo em bueiro — afirmou, na ocasião, o prefeito Marcelo Crivella.
Dois dias depois, ainda em fevereiro, Crivella voltou a defender o sistema:
— Precisamos entender que o Rio de Janeiro precisa de mais investimentos nisso. Mas estou aí com muita esperança de que o bueiro eletrônico, que já funciona em São Paulo, venha a nos ajudar preventivamente a limpar essas galerias para que no momento da chuva a gente não tenha esses alagamentos.
Na ocasião, a Secretaria de Conservação informou que o sistema seria uma "mudança de paradigma". A pasta afirmou que o contrato seria para a instalação de cinco mil bueiros (eletrônicos) — 3.800 bueiros a mais — no valor de R$ 12 milhões. O processo de contratação estava em andamento.
Questionada, a pasta não explicou a redução no número total de bueiros eletrônicos e no custo do contrato. O GLOBO também questionou a quantidade total de bueiros existentes no município.
Em nota, a Seconserma acrescentou que a implantação do sistema depende apenas da "capacidade da empresa de escalonar a tecnologia adequada ao tamanho dos bueiros da cidade e à quantidade", informou a Seconserma. A prefeitura aguarda os equipamentos chegarem para iniciar a instalação dos bueiros inteligentes. O cronograma de instalação da tecnologia prevê que Lagoa, Centro, Tijuca e Barra da Tijuca sejam contemplados inicialmente, "seguindo o mapeamento de pontos críticos de drenagem elaborado pelo Centro de Operações em parceria com diversos órgãos do município que atuam na mitigação de alagamentos", acrescentou a Secretaria de Conservação.
Em fevereiro deste ano, O GLOBO mostrou que a cidade de São Paulo está testando há dois anos o sistema de "bueiro inteligente" como uma possível solução para o problema das enchentes. Embora as bocas de lobo sejam equipadas com sensores eletrônicos, que avisam quando ocorre obstrução, a tecnologia ainda não ganhou escala e, por isso, não se mostrou eficaz contra os alagamentos na capital paulista.
Desde 2016, apenas 0,02% dos cerca de 450 mil bueiros e bocas de lobo de São Paulo ganharam sensores. Foram escolhidos ralos em áreas onde normalmente ocorrem alagamentos. O sensor eletrônico emite um alerta para uma central assim que a sujeira atinge 50% da capacidade do bueiro, e equipes de limpeza são enviadas ao local. Nas áreas onde o sistema não foi implantado, funcionários verificam pessoalmente os ralos, o que torna o processo de limpeza mais lento e menos eficiente.
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