
29/11/2018
O Brasil pode ter um verão ligeiramente mais quente que o normal entre 2018 e 2019. Isso porque a Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês) calcula de 75% a 80% as chances de formação de um El Niño de fraca intensidade até fevereiro do ano que vem, com 60% de probabilidade de se estender até abril.
O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento acima do normal da água na superfície do Pacífico Sul e equatorial, tem impactos no clima global. No Brasil, ele costuma diminuir o volume de chuva na Região Norte e no semiárido nordestino, enquanto eleva as precipitações no Sul, além de aumentar a temperatura média por todo país.
Segundo a última atualização das previsões da WMO, divulgada nesta terça-feira, a temperatura da água na superfície da região tropical do Pacífico Sul já está no nível de um El Niño fraco desde outubro, mas a oscilação ainda não se refletiu em mudanças nos padrões de circulação atmosférica.
- O El Niño previsto não deverá ser tão poderoso quanto o evento de 2015-2016, que foi ligado a secas, inundações e o branqueamento de corais em diferentes partes do mundo – destacou Maxx Dilley, diretor da divisão de Previsões Climáticas e Adaptação da WMO. - Ainda assim, ele pode alterar significativamente os padrões de precipitação e temperatura em muitas regiões, com importantes consequências para a agricultura, segurança alimentar, gestão de recursos hídricos e saúde pública, e pode se combinar com as mudanças climáticas de longo prazo de forma a elevar as temperaturas globais em 2019.
Assim, se a previsão da WMO se confirmar, este verão deverá ser um pouco mais quente que o normal no Brasil, diz Juliana Anochi, climatologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe).
- No Brasil a influência do El Niño em geral é de aumento do volume de chuva no Sul com diminuição do volume no Norte e Leste da Amazônia e na região do semiárido do Nordeste – diz. - Também há um aumento da temperatura média no país, com probabilidade de ficar até 2 graus Celsius mais alta, mas isso varia de região para região. Já no Sudeste o El Niño não muda significativamente o volume total, mas aumenta a possibilidade de chuvas intensas.
Fonte: O Globo
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