
01/11/2018
A partir da observação do descarte de cascas de maracujá em terrenos de Osório, no Rio Grande do Sul, a estudante Juliana Davoglio Estradioto , de 18 anos, teve uma ideia. Depois de muita pesquisa, desenvolveu um plástico biodegradável com os resíduos da fruta e transformou sua invenção na embalagem de mudas de plantas. Ela nunca havia vestido um jaleco na vida. Hoje, ela foi anunciada como primeira colocada da 29ª edição do Prêmio Jovem Cientista , na categoria ensino médio. O nome dos vencedores foi divulgado, na manhã desta terça-feira, na sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico ( CNPq ), em Brasília.
- Com esse plástico, você pode enterrar a muda junto com ele, sem ter de tirar, como é feito com aquele tradicional. E ele se degrada em até 20 dias, o que é muito importante para a questão ambiental. Foi meu primeiro projeto de pesquisa e abriu meu horizonte. Quero fazer isso para o resto da vida - explica Juliana, entusiasmada por ser uma das quatro mulheres premiadas na edição.
O tema do prêmio este ano é “Inovações para Conservação da Natureza e Transformação Social”. Em dezembro, os vencedores serão homenageados em solenidade no Palácio do Planalto, com o presidente Michel Temer. Foram mais de 1,5 mil inscrições de estudantes e pesquisadores de todo o país. Ao lado de Juliana, o pernambucano Célio Henrique Rocha Moura receberá o prêmio de primeiro lugar no ensino superio. Ele venceu com uma pesquisa sobre como a percepção da população sobre áreas preservadas do Recife pode auxiliar na gestão das Unidades de Conservação.
João Vitor Campos e Silva, paulista que mora em Maceió, foi o primeiro lugar na categoria mestre e doutor, com o estudo sobre o impacto de um modelo de conservação na Amazônia que recupera populações de pirarucu e tem potencial para garantir às comunidades o equivalente a uma poupança bancária avaliada em R$ 30 mil anuais.
O prêmio é do CNPq, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, em parceria com a Fundação Roberto Marinho, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e o Banco do Brasil, e apoio Embaixada do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda.
- No meu coração, o Prêmio Jovem Cientista é o mais atraente, porque olha para o futuro. Ele pega esses meninos e mostra para eles que a criatividade, o esforço, a dedicação podem transformá-los em grandes cientista, que o Brasil tanto precisa. É hora de mostrar para a sociedade e políticos que não tem nação desenvolvida plenamente se não tiver bom investimento em ciência, tecnologia e inovação - disse o professor Mário Neto Borges, presidente do CNPq.
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