
01/11/2018
A Nasa anunciou nesta terça-feira a “aposentadoria” do observatório espacial Kepler, o mais prolífico “caçador de planetas” já construído pela Humanidade até agora. Com o fim do combustível a bordo do telescópio - em uma órbita em torno do Sol na qual “persegue” nosso planeta e que o deixou a uma distância de mais 140 milhões de quilômetros da Terra -, a agência espacial americana encerrou oficialmente a missão após mais de nove anos no espaço.
Lançado em março de 2009, o Kepler deixa como legado a descoberta de mais de 2,6 mil planetas extrassolares, isto é, que orbitam estrelas que não a nossa, dezenas deles com potencial de abrigar vida, além de mais de 5 mil “candidatos” que ainda aguardam confirmação por mais análises ou observações por outros equipamentos. Primeiro telescópio espacial construído com o objetivo específico buscar estes exoplanetas – como esses objetos também são conhecidos -, ele passou boa parte deste tempo apontado para uma pequena região do céu entre as constelações de Lira e Cygnus (Cisne) coalhada com mais de 160 mil estrelas.
Equipado com um fotômetro extremamente sensível, o Kepler podia detectar variações periódicas ínfimas no brilho destas estrelas que indicassem a passagem de um planeta em frente a elas de nosso ponto de vista, fenômeno conhecido na astronomia como “trânsito”. Daí o nome do método usado por ele para descobrir estes objetos, conhecido como “de trânsito”.
- Como primeira missão caça-planetas da Nasa, o Kepler excedeu em muito nossas expectativas e abriu caminho para a exploração e busca por vida no Sistema Solar e além – destacou Thomas Zurbuchen, vice-administrador da Nasa responsável pela Divisão de Missões Científicas da agência espacial americana. - Não apenas ele mostrou que muitos planetas podem estar lá fora como deu início a um inteiramente novo e robusto campo de pesquisas que tomou a comunidade científica como uma tempestade. Suas descobertas jogaram luz sobre nosso lugar no universo, e revelaram os fascinantes mistérios e possibilidades que se escondem em meio às estrelas.
Mas mesmo com a “aposentadoria” do Kepler, as descobertas proporcionadas por ele não chegaram ao fim. Os cientistas ainda analisam os dados coletados pelo telescópio espacial, em especial os da chamada missão K2, que expandiu o número de estrelas observadas por ele para mais de 500 mil.
Iniciada em 2014, a K2 foi a solução encontrada pelos cientistas da Nasa para dar continuidade à missão do Kepler após falhas em dois dos quatro giroscópios a bordo entre 2012 e 2013. Essas peças eram fundamentais para que o telescópio pudesse ficar constantemente apontado para o estrito campo de estrelas na missão original e assim poder detectar as variações periódicas em seu brilho.
Mas, graças à pressão exercida pela própria luz do Sol um uma das laterais do Kepler, os engenheiros da Nasa desenvolveram um método para usá-la como se ela fosse um terceiro “giroscópio” do telescópio espacial. Com isso, eles conseguiam mantê-lo apontado fixamente para uma mesma região do céu por períodos de cerca de 80 dias antes que tivessem que manobrá-lo para evitar que a luz solar penetrasse a janela do telescópio e destruísse seus sensíveis detectores, permitindo mais descobertas.
Fonte: O Globo
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