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Aquecimento global afeta a saúde mental das pessoas, afirmam cientistas do MIT

23/10/2018

Descongelamento dos polos, inundações, aumento do nível do mar, secas extremas, incêndios florestais, escassez de alimentos e alterações nos ecossistemas são algumas das múltiplas consequências do aquecimento global. No entanto, as mudanças climáticas terão impactos ainda mais diretos nos seres humanos, e eles estão começando a ser investigados por cientistas. Um estudo publicado na revista PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, alerta que um aumento moderado das temperaturas está associado ao crescimento dos problemas de saúde mental na população mundial, como a ansiedade, o estresse e a depressão.
Para chegar a essa conclusão, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) analisaram dados sobre a saúde mental de dois milhões de pessoas nos EUA, entre 2002 e 2012. Ao comparar as informações sobre atendimentos de profissionais especializados em saúde mental com os registros meteorológicos, eles observaram que os momentos de alta nos números de consultas coincidiam com variações importantes no clima. Por exemplo, meses com pelo menos 25 dias de chuva aumentaram a probabilidade de registros de problemas de saúde mental em 2%. Temperaturas médias mensais acima de 30° C estavam relacionadas a um aumento de 0,5%.
— Não sabemos exatamente porque as altas temperaturas causam problemas de saúde mental, mas o que está claro é que isso afetará mais e mais pessoas no futuro — alerta Nick Obradovich, líder da pesquisa.
Estudos anteriores já haviam mostrado que a alta das temperaturas pode afetar os padrões de sono, piorar o humor e elevar as internações hospitalares. A revista Nature Climate Change, por sua vez, publicou um artigo onde se sugere que um aumento de 1° C nas temperaturas mensais está correlacionado com um aumento de 0,68% na taxa de suicídios nos EUA.
— É um estudo muito interessante, que nos estimula a procurar as variáveis que poderiam ter papel nessa relação — diz o Dr. Pablo Toro, psiquiatra da UC Christus Health Network.
Nesta linha, a UC está desenvolvendo um trabalho de acompanhamento de 10 mil pessoas por uma década. A ideia é, entre outras coisas, analisar "quais são as variáveis ambientais e de saúde geral associadas à doença mental", explica Toro. Como eles, outros centros de pesquisa estão procurando as mesmas respostas.
— Estar exposto a condições climáticas extremas pode causar estresse, e isso, por sua vez, leva a problemas de saúde mental — sugere Obradovich, do MIT.

Saiba mais em O Globo

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