
18/10/2018
Os últimos anos comprovam o que cientistas há muito alertavam: o clima do planeta está em transformação e os extremos climáticos são mais comuns e poderosos. Furacões devastam a costa americana, países europeus e asiáticos; secas históricas provocam crises hídricas na África e na América do Sul. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) divulgou relatório alarmante, apontando 2030 como o prazo máximo para conter o aquecimento abaixo de 1,5 grau Celsius em relação ao período pré-industrial. Em meio a este cenário, líderes globais lançaram nesta terça-feira uma comissão para escalar e acelerar soluções de adaptação às mudanças climáticas.
— Antes visto como uma ameaça distante, futura, a mudança climática está aqui e agora. Como o novo relatório do IPCC deixou claro, sem ação urgente, as mudanças no clima vão trazer devastação para as casas, plantações e negócios das pessoas — alertou Andrew Steer, presidente da ONG World Resource Institute e membro da comissão. — Esta comissão vai colocar a adaptação no centro da agenda do desenvolvimento, incentivando governos e negócios a se prepararem de forma urgente para o nosso mundo em transformação.
A Comissão Global de Adaptação é liderada pelo ex-secretário das Nações Unidas Ban Ki-moon; pelo cofundador da Microsoft Bill Gates; e pela diretora executiva do Banco Mundial, Kristalina Georgieva. A iniciativa reúne 17 países e 28 comissários, incluindo os três líderes, que representam todas as regiões do planeta e todos os setores do desenvolvimento e da indústria.
Conforme indicado no relatório do IPCC, os impactos das mudanças climáticas já estão sendo sentidos, muito antes e com muito mais força que o previsto. Como a Humanidade foi incapaz de conter as emissões de gases estufa a tempo, é preciso adotar medidas de adaptação, para minimizar os efeitos de inundações e secas, da elevação do nível do mar e das tempestades. O objetivo da comissão é dar visibilidade e importância política à adaptação climática e incentivar soluções ousadas, como investimentos inteligentes, desenvolvimento de novas tecnologias e o planejamento.
— Sem ações urgentes de adaptação, nós corremos o risco de prejudicar a segurança alimentar, energética e hídrica nas próximas décadas — alertou Ban Ki-moon. — O crescimento econômico contínuo e a redução da pobreza são possíveis apesar dos desafios assustadores, mas apenas se as sociedades investirem muito mais em adaptação. Os custos de adaptação são menores e os benefícios, maiores.
A comissão propõe quatro pontos a serem enfrentados. O primeiro é a falta de informação. Tomadores de decisão e o público em geral ainda não estão cientes das vantagens e oportunidades de nos tornarmos mais resilientes e menos vulneráveis aos impactos do clima em transformação e dos desastres naturais. O segundo ponto trata da ausência dos riscos climáticos em planos de desenvolvimento econômico e social e de investimentos de governos e corporações.
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