
04/10/2018
Pesquisadores da Universidade do Havaí descobriram um novo objeto extremamente distante no Sistema do Solar, muito depois de Plutão. O achado reforça a teoria sobre a suposta existência de um planeta ainda não identificado nos confins do Sistema Solar, conhecido popularmente como Planeta X.
O objeto foi batizado 2015 TG387 e teve a descoberta anunciada esta terça-feira pela União Astronômica Internacional.
O 2015 TG387 foi localizado a cerca de 80 unidades astronômicas (UA) do Sol, uma medida definida como a distância média (150 milhões de quilômetros) entre a Terra e o Sol. Para comparação, Plutão está a aproximadamente 34 UA, então o novo objeto está a duas vezes e meia mais longe do Sol do que o planeta anão.
O novo objeto está em uma órbita muito alongada e nunca se aproxima do Sol. O ponto mais próximo a que ele chega, chamado periélio, está a 65 UA. Apenas dois objetos astronômicos, 2012 VP113 e Sedna, têm periélio mais distante — 80 UA e 76 UA, respectivamente. O 2015 TG387, porém, é o que tem maior semi-eixo orbital, ou seja, ele viaja muito mais longe do Sol do que seus "concorrentes". Em seu ponto mais distante, ele chega a cerca de 2.300 UA.
O 2015 TG387 é um dos poucos objetos conhecidos que nunca chega perto o suficiente dos planetas gigantes do Sistema Solar, como Netuno e Júpiter, e por isso não tem interações gravitacionais significativas com eles.
— Esses objetos são muito isolados da maior parte da massa conhecida do Sistema Solar, o que os torna muito interessantes — explicou Scott Sheppard, coautor do estudo. — Eles podem nos ajudar a entender o que acontece no limite do Sistema Solar.
Sheppard e seu colega, Chad Trujillo, também foram os responsáveis pela descoberta do 2012 VP113. A semelhança entre a sua órbita e a de planetas do Sistema Solar levou os cientistas a cogitarem a existência de um planeta desconhecido, que seria várias vezes maior do que a Terra, e chamado ocasionalmente de Planeta X ou Planeta 9, que estaria localizado depois de Plutão.
— Esses objetos distantes são como migalhas de pão levando-nos ao Planeta X — compara Sheppard. —- Quanto mais conseguimos encontrar, melhor podemos entender o Sistema Solar e o possível planeta que estaria moldando suas órbitas. Esta descoberta redefiniria nosso conhecimento sobre a evolução do Sistema Solar.
Para os cientistas, há milhares de objetos como o 2015 TG387, mas a distância em relação ao Sol e à Terra dificultaria sua observação. O 2015 TG287 foi visto pela primeira vez em outubro de 2015 através de um satélite japonês localizado no topo do vulcão Mauna Kea, no Havaí.
Fonte: O Globo
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