
02/10/2018
Elogiado internacionalmente por seu programa para adaptação às mudanças climáticas, o Brasil acelera para cumprir, até o ano que vem, uma das metas relacionadas à saúde. O Programa de Vigilância da Água para Consumo Humano (Vigiágua) ainda não chegou a 1.440 municípios. O levantamento foi realizado em todas as cidades do país (5.570), além das 31 regiões administrativas do Distrito Federal.
No Plano Nacional de Adaptação, instituído em 2016, o Ministério da Saúde comprometeu-se a monitorar a qualidade da oferta de água e sua potabilidade em 4.760 municípios e regiões administrativas, o equivalente a 85% das unidades do país, até 2019. Hoje, 73,7% participam da iniciativa.
Enquanto se esforça para atingir a meta, o ministério criou, em parceria com a Fiocruz, um observatório que identifica padrões climáticos e seus efeitos sobre a saúde no país. Pesquisador do órgão, Christovam Barcellos alerta que a grande variedade de biomas complica o diagnóstico sobre os principais problemas de cada região, muitos causados pelo excesso ou por falta d’água.
— O semiárido nordestino e a Amazônia enfrentam secas severas em períodos de El Niño — destaca. — A floresta é muito mais vulnerável do que parece, porque a navegação nos rios pode ser interrompida, isolando comunidades ribeirinhas e impedindo o abastecimento de água potável. Entre as enfermidades relacionadas à água e ao saneamento estão a hepatite A e a esquistossomose.
A estiagem, que também é cada vez mais comum no Cerrado, facilita a propagação de queimadas e o aumento de enfermidades respiratórias. Na Caatinga, que experimentou, nos últimos cinco anos, sua pior seca desde 1845, seu efeito é ainda mais grave. A região mais pobre do país pode registrar mais doenças não transmissíveis, como a desnutrição e o estresse mental.
O Rio de Janeiro e outras metrópoles litorâneas estarão sujeitas uma situação oposta. Os eventos extremos trarão mais chuvas, enchentes e deslizamento de encostas.
— É difícil quantificar o número de mortes causadas pelas mudanças climáticas, mas vemos como os desastres ambientais provocam centenas de vítimas. Nos últimos anos, milhares de pessoas foram mortas em chuvas na Região Serrana do Rio, em Alagoas e no Vale do Itajaí (SC) — enumera.
Nos últimos anos, quando decretaram estados de calamidade por conta das chuvas, Pernambuco e Alagoas registraram surtos de diarreia devido à falta de água potável, levando a população a buscar fontes contaminadas para consumo.
Saiba mais em O Globo
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