
11/09/2018
O iceberg de um trilhão de toneladas e do tamanho do Distrito Federal que se soltou da Antártica em julho do ano passado está em movimento. E como! Imagens de satélite revelam que, ao longo de julho e agosto, o gigante iceberg batizado por cientistas de A68 fez "piruetas" de 90 graus de rotação, "dançando" a uma distância de 45 quilômetros da plataforma de gelo Larsen, de onde ele se desprendeu há mais de um ano.
Com cerca de 5.800 quilômetros quadrados de superfície, o iceberg está entre os maiores observados desde o início do rastreamento via satélite.
— Acho que, agora, este seria o maior objeto flutuante no oceano — disse ao portal "Live Science" Theodore Scambos, pesquisador sênior da National Snow and Ice Data.
Em comparação, o tamanho do iceberg é mais de 300 mil vezes superior ao do iceberg de 125 metros que provocou o naufrágio do Titanic, o que faz dele um dos maiores já registrados.
Um GIF criado pela cientista polar Anna Hogg, da Universidade de Leeds, no Reino Unido, mostra o movimento recente do A68. Ele mudou pouco em seu primeiro ano de emancipação da plataforma de gelo, tendo se agarrado em espécies de montes do fundo do Mar de Weddell.
— Há muitos pináculos [relevos pontudos, como montanhas, no fundo do mar] que podem prender um iceberg — comenta Theodore Scambos.
Por volta do último dia 12 de julho, o gigante se libertou de algumas das bases em que estava preso e começou a balançar rumo ao norte, como um ponteiro do relógio se movendo ao contrário, escreveu o oceanógrafo polar Mark Brandon, da Open University, da Inglaterra, em um comunicado enviado à "Live Science".
Segundo os especialistas, o iceberg deve se manter na localização em que está, a 45 quilômetros da plataforma de gelo Larsen, por mais alguns meses. Isso porque ele deve se prender em outras montanhas submarinas na região.
Até agora, o iceberg está se comportando como os cientistas esperavam. À medida que as marés sobem e descem, o iceberg deve surfar sobre elas, flutuando mais perto, e depois mais longe, da plataforma de gelo em um caminho espiralado, disse Theodore Scambos.
— Eventualmente, não importa o que aconteça, mesmo com reviravoltas e curvas, e provavelmente um pouco de rotação inerente... ela irá para o norte — afirma o especialista.
A matéria pode ser lida em O Globo
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