
06/09/2018
O Brasil é o país que mais consome agrotóxicos, mas está longe de ser um dos que mais os produz. Lançado nesta terça-feira, o Atlas do Agronegócio, uma iniciativa das fundações alemãs Heinrich Boll e Rosa Luxemburgo, aponta as dez maiores empresas produtoras de agrotóxicos do mundo. Segundo o estudo, um quarto do mercado atual está nas mãos da alemã Bayer, que no ano passado comprou a americana Monsanto por US$ 63 bilhões. Ela é responsável pela produção do RoundUp, agrotóxico mais popular do mundo e que figurou no centro de uma disputa jurídica no Brasil às vésperas do plantio da nova safra da soja.
Existem vários tipos de agrotóxicos, mas os herbicidas, como o glifosato, são produtos petroquímicos. Eles matam as plantas com as quais têm contato. Por isso, apenas vegetais transgênicos com mutações feitas especificamente para suportar a química conseguem sobreviver. O RoundUp serve para matar ervas daninhas e tem como princípio ativo o glifosato, a substância mais consumida em plantações brasileiras. Ele é usado principalmente em plantações de soja transgênica.
— Em plantações comuns, é aplicado diretamente na terra onde há plantas espontâneas, as plantas não sobrevivem a ele, então não pode entrar em contato com a plantação. Já nas monoculturas de transgênicos, que foram modificados para incluir material genético de bactérias resistentes ao herbicida, ele é aplicado sobre as plantações, podendo-se usar aviões — explica o engenheiro agrônomo Gabriel Bianconi Fernandes, pesquisador da UFRJ, um dos 34 pesquisadores brasileiros envolvidos no desenvolvimento do Atlas.
Em 2008 o Brasil liberou o uso comercial do milho transgênico “Roundup Ready”, resistente ao glifosato. Depois da liberação desta variedade, também foram autorizadas outras 18 espécies contendo a mesma modificação genética para resistência ao glifosato. Como as plantações transgênicas demandam mais pulverizações que as convencionais, os limites máximos de resíduos de agrotóxicos (LMR) permitidos nas culturas agrícolas foram puxados para cima. No milho foi multiplicado por 10, saltando de 0,1 para 1,0 mg por quilo. No caso do algodão resistente ao glifosato, o resíduo permitido é de 3,0 mg por quilo. A título de comparação, o resíduo de glifosato para o feijão comum é de 0,05 mg/kg. Para a soja, o limite de glifosato era 0,2 mg/kg, valor que foi aumentado em 50 vezes com a liberação da soja Roundup Ready.
As intoxicações agudas por agrotóxicos afetam principalmente as pessoas expostas em seu ambiente de trabalho e são caracterizadas por efeitos como irritação da pele e dos olhos, coceira, vômitos, diarreias, dificuldades respiratórias, convulsões e morte. Já as intoxicações crônicas — características entre quem se alimenta de vegetais produzidos usando esse tipo de composto químico — podem aparecer muito tempo após a exposição inicial. Os efeitos associados à exposição crônica incluem: infertilidade, impotência, abortos, malformações, neurotoxicidade, desregulação hormonal, efeitos sobre o sistema imunológico e câncer.
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