
04/09/2018
É praticamente impossível, para quem chega à Ilha Diana, em Santos, no litoral paulista, imaginar que o lugar faz parte da maior cidade da Baixada Santista. Distante 8 quilômetros do maior porto da América Latina, o bairro de cerca de 300 habitantes resgata o que de mais autêntico existe na cultura caiçara - mesmo sofrendo com a distância e a falta de infraestrutura.
A história da Ilha Diana se confunde com a de Adriano da Silva Alves, que até hoje detém o simbólico título de ´prefeito´ do lugar. Aos 74 anos, ele é testemunha viva das transformações pelas quais a ilha passou, desde a época em que só havia meia dúzia de barracos, vindos de uma área em Guarujá, onde hoje está a Base Aérea de Santos, até a instalação dos postes galvanizados de energia que iluminam as pequenas vielas.
Alves se vangloria de ter sido escolhido pelo então prefeito de Santos, Paulo Gomes Barbosa (1980-1984), para ser o que se pode considerar o desbravador daquele bairro da Área Continental. Isso ocorreu quando ele já tinha 40 anos, e já havia sido funcionário público da Prefeitura de Guarujá.
A precariedade inicial das condições de vida no local foi, aos poucos, sendo amenizada. "Não tinha água, não tinha luz, não tinha nada. As crianças, para irem ao colégio, era uma briga. Tinha que ser de ´chatinha´ de remo. Aí, falei com o ´doutor´ Paulo: ´Acho que nós temos que fazer primeira à quarta série aqui´", relembra.
Além do que se tornou a Unidade Municipal de Ensino Rural Ilha Diana, Adriano Alves conseguiu melhorias estruturais junto ao governo municipal. Como ´prefeito´, ele se orgulha de ter participado do que considera conquistas, como o calçamento de caminhos com paralelepípedos e a construção de uma pequena praça e da Igreja de Nossa Senhora do Loreto.
Mesmo assim, Alves diz que a ilha apresenta problemas relacionados à mobilidade, ao saneamento básico, coleta de lixo, saúde e ao desenvolvimento familiar dos moradores. Para irem à cidade, por exemplo, precisam enfrentar de 25 a 30 minutos de barco, até o cais santista.
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