
04/09/2018
Um pescador foi autuado ao ser flagrado transportando um mero (Epinephelus itajara) no acesso ao Porto de Santos, no litoral de São Paulo. O peixe, cuja espécie está criticamente ameaçada de extinção, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), tem a pesca proibida no país desde 2002.
O flagrante foi realizado nas proximidades da comunidade Santa Cruz dos Navegantes, em Guarujá, por uma equipe da Companhia Marítima da Polícia Militar Ambiental, informou a corporação nesta sexta-feira (31). O peixe, de 30 kg e 1,1 metro de comprimento, foi encontrado já morto em um pequeno barco de madeira.
Aos policiais, o suspeito que conduzia o barco, cujo nome não foi informado, negou a pesca. Ele disse que retirou o mero do mar já sem vida, nas proximidades da Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, no início do Canal do Estuário, que serve de acesso aos navios que atracam nos terminais do Porto de Santos.
Há 16 anos, em razão da redução do número de indivíduos da espécie, foi proibida a pesca, o transporte, a descaracterização, a comercialização, o beneficiamento e a industrialização da espécie, segundo instrução inicial do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O homem flagrado foi multado pelos policiais militares ambientais em R$ 2,6 mil, mas responderá em liberdade por crime ambiental, ocorrido dentro da Zona de Amortecimento do Parque Estadual Xixová-Japuí. O peixe apreendido foi imediatamente doado pela polícia ao Grupo Escoteiros Lobo Guará, de Guarujá.
Segundo o biólogo Matheus Freitas, do Projeto Meros do Brasil, referência no país no estudo da espécie, o animal localizado é jovem, em razão do tamanho. "Foi achado em uma região estuarina, justamente o local onde a espécie se desenvolve antes de seguir para mar aberto, em costões rochosos, quando já está adulto".
Freitas conta que, nos últimos dois meses, esta é a quarta ocorrência de mero na região do Porto de Santos. "Nós recebemos vídeos de pescadores devolvendo os meros fisgados ao mar. Eles fizeram o que é correto, uma vez que a espécie corre o risco, realmente, de ser extinta, e os infratores podem ser punidos".
O biólogo explica, ainda, que o mero pode viver a até 100 metros de profundidade, por 40 anos, ter mais de 2,5 metros de comprimento e pesar 400 kg, aproximadamente. "São animais que estão praticamente em toda a costa do Brasil, e se não forem cuidados, podem ser vítimas da pesca predatória e, até mesmo, da poluição", explica.
Fonte: G1
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