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Avanço do mar divide ilha, extingue enseada e ´engole´ 1 km do estado de SP

30/08/2018

Um canal de 170 metros de largura e 3 metros de profundidade dividiu em duas a Ilha do Cardoso, no extremo sul do litoral de São Paulo. Pesquisadores estimam que em um mês, a nova barra, que conecta o Estuário de Ararapira ao Oceano Atlântico, atinja um quilômetro de extensão, alterando o ecossistema costeiro e isolando por via terrestre 50 moradores.
O processo natural de erosão (movimento de sedimentos pela corrente da água) ocorre há 60 anos no entorno da Enseada da Baleia, que começou a ser extinta em definitivo na segunda-feira (27) em decorrência de uma ressaca marítima. A largura da faixa de areia já mediu 80 metros e, na última década, foi reduzida a menos de 2 metros.
Acadêmicos e estudantes do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) alertaram, em 2009, sobre o possível desfecho do fenômeno para este ano. "Projetamos, com base em imagens de satélite, o avanço da erosão. A abertura [da barra] foi ao final dessa janela tempo e deve ser concluída em setembro, quando terá um quilômetro", explica a professora Maria Cristina de Souza.
Segundo Maria Cristina, trata-se de uma ação da natureza que o homem, desta vez, não teve interferência. "A dinâmica daquela região é instável, da água do estuário avançando para o mar. No passado, já ocorreram outras aberturas e acreditamos que, em breve, ocorrerá o assoreamento [deposição de sedimentos] na antiga barra, na divisa com o Paraná".
A agitação marítima desta semana, ocasionada pela passagem de uma frente-fria na costa dos dois estados, resultou no esperado encontro do estuário com o oceano. Entretanto, uma ressaca ainda mais intensa em 2016 já havia motivado a criação de um plano de emergência pela Defesa Civil e a mudança das casas de 15 pescadores que viviam ali.
O gestor do Parque Estadual Ilha do Cardoso, Edison Nascimento, também afirma que o fenômeno erosivo é natural e é acompanhado pela Fundação Florestal e pelo Instituto Geológico, ambos subordinados à Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo. "O que era esperado, finalmente aconteceu. E agora vamos avaliar os reais impactos ao ecossistema".

A matéria pode ser lida na íntegra no G1

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