
16/08/2018
Cientistas alertam que os recifes de corais estão seriamente ameaçados pelas mudanças climáticas, mas um estudo mostra que, no passado, esses organismos demonstraram resiliência para superar alterações ambientais. Os corais só conseguem sobreviver em parceria com um tipo específico de alga, conhecido como zooxantela, que vive no interior de suas células. Por meio da fotossíntese, as zooxantelas fornecem energia e recebem do hospedeiro dióxido de carbono e nutrientes. Estimativas anteriores indicavam que essa relação simbiótica teria surgido entre 50 e 65 milhões de anos atrás, mas novos cálculos sugerem que eles já existiam na era dos dinossauros.
— Nossas pesquisas indicam que os corais modernos e suas algas parceiras viviam juntos desde o tempo dos dinossauros, aproximadamente há 160 milhões de anos — afirmou Todd LaJeunesse, professor da Universidade Estadual da Pensilvânia e coautor do estudo publicado na revista “Current Biology”. — Durante sua longa existência, eles enfrentaram episódios severos de mudanças ambientais.
Os pesquisadores usaram evidências genéticas, incluindo sequências de DNA, análises filogenéticas e comparações entre genomas, para calcular a idade aproximada de origem das microalgas. Eles também usaram técnicas tradicionais de análise morfológica para comparar características visuais desses organismos, usando microscópios eletrônicos com modelagem computacional. Os resultados mostram que as algas são bem mais antigas e que sua família é muito mais diversa.
— Atualmente, numerosas linhagens de algas são agrupadas em apenas um gênero — explicou John Parkinson, pesquisador da Universidade Estadual do Oregon e coautor do estudo. — Usando técnicas genéticas, nós fornecemos evidências de que a família, na verdade, reúne ao menos 15 gêneros, incluindo centenas e possivelmente milhares de espécies em todo o mundo.
Essa descoberta é importante porque algumas microalgas têm características que as tornam mais resilientes a mudanças ambientais que outras. Isso pode explicar por que alguns recifes, como a Grande Barreiras de Corais da Austrália, estão sofrendo mais que outros com as alterações em curso na temperatura e na acidez dos oceanos e como essa relação simbiótica sobreviveu por tanto tempo.
— A taxonomia precisa é um passo crítico em qualquer pesquisa biológica — afirmou Parkinson. — Isso é especialmente necessário para estudos que tentam compreender como a parceria entre corais e suas microalgas, que são necessárias para a sobrevivência e crescimento, pode se adaptar às mudanças climáticas. Por exemplo, enquanto muitos corais expostos a temperaturas mais altas perdem a simbiose com as algas e morrem, outros são mais tolerantes ao calor, e parte dessa resiliência se baseia nas espécies de algas que possuem.
Fonte: O Globo
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