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Raro híbrido entre baleia e golfinho é avistado pela primeira vez

02/08/2018

Com a cabeça larga como as das baleias-cabeça-de-melão e as manchas pelo corpo tradicionais dos golfinhos-de-dentes-rugosos, um animal chamou a atenção de pesquisadores do Coletivo de Pesquisa Cascadia, durante expedição realizada no Havaí em agosto do ano passado. Nesta semana, um artigo científico publicado pelo grupo confirma que o indivíduo era um híbrido entre as duas espécies, o primeiro já observado na natureza.
— Nós tínhamos fotografias e suspeitávamos ser um híbrido pelas características morfológicas intermediárias entre as espécies — contou Robini Baird, líder do projeto, em entrevista ao jornal local “The Garden Island”, considerando o feito como “a descoberta mais incomum” do coletivo. — Nós pudemos coletar amostras do animal para biópsia.
Pela análise de DNA, os cientistas confirmaram que o estranho animal era filhote de um golfinho-de-dentes-rugosos macho com uma fêmea de baleia-cabeça-de-melão. Cruzamentos deste tipo são conhecidos como “wolphin” (mistura de “whale”, baleia em inglês, com “dolphin”, golfinho), apelido dado a uma fêmea híbrida nascida no Parque Sea Life, também no Havaí, entre uma falsa-orca e um golfinho-nariz-de-garrafa.
Para o curador do Sea Life, Jeff Pawloski, a descoberta deste novo híbrido comprova a “diversidade genética dos oceanos”. A híbrida nascida no parque é conhecida como Kekaimalu e ainda vive no parque, ajudando os guias no ensino da genética aos visitantes.
— Saber que ela tem “primos” lá fora no oceano é algo incrível de se saber — comemorou Pawloski.
Tecnicamente, a baleias-cabeça-de-melão são da família Delphinidae, dos golfinhos, assim como a orca e a falsa-orca, entre outros cetáceos conhecidos popularmente como baleias. Baird destaca que não é possível, ainda, classificar o híbrido como uma nova espécie. Segundo ele, para que isso ocorra é preciso que a hibridização se espalhe.
— Este não é o caso, apesar de existirem exemplo de hibridização que resultaram em novas espécies — afirmou o pesquisador. — Não existe qualquer evidência que sugira que este híbrido esteja formando uma nova espécie.
Mas isso não diminui a importância da descoberta. Normalmente, híbridos acontecem quando há um declínio na população de uma das espécies parentais, mas não há informações suficientes para corroborar essa tese. Outra possível explicação seria de a fêmea de baleia-cabeça-de-melão ter se perdido de seu grupo e passado a viver com os golfinhos.

Fonte: O Globo

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