
30/07/2018
As florestas tropicais são ricas em carbono e também em biodiversidade. Por conta das alterações climáticas induzidas por ação humana, são crescentes os gastos com a proteção do carbono das florestas tropicais. Mas essas medidas também garantem a sobrevivência das espécies que habitam as florestas?
Um estudo publicado hoje na renomada revista Nature Climate Change sugere que a resposta a esta pergunta não é tão simples. A pesquisa, realizada no âmbito da Rede Amazônia Sustentável (RAS), uma rede internacional de cientistas de diversas instituições e integrante do Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foi liderada por pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental e do Centro de Meio Ambiente da Universidade de Lancaster (Reino Unido). O grupo descobriu que os investimentos destinados a evitar perdas maciças de carbono em florestas tropicais são provavelmente menos eficazes para a biodiversidade nas florestas de maior valor ecológico. Para a surpresa do time de pesquisadores, nestas florestas (que são as mais preservadas), até 77% das espécies que teriam sido protegidas por meio de ações voltadas à conservação da biodiversidade, não seriam protegidas no caso de medidas centradas exclusivamente na proteção dos estoques de carbono.
"Proteger os estoques de carbono das florestas tropicais deve permanecer um objetivo central em políticas internacionais de conservação", afirma Joice Ferreira, uma das líderes do estudo, bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq e pesquisadora da Embrapa. "Esse tipo de medida não apenas pode desacelerar as alterações climáticas, como também tem o potencial de proteger a vida selvagem única e insubstituível das florestas tropicais como a Amazônia. No entanto, para garantir que tais espécies sobrevivam, a biodiversidade precisa ser tratada como foco central dos esforços de conservação - tanto quanto o carbono".
As florestas tropicais armazenam mais de um terço de todo o carbono terrestre do mundo. Fenômenos causados por ação humana, como o desmatamento e as perturbações florestais (extração de madeira, caça, incêndios e fragmentação florestal) podem provocar a liberação do carbono e exacerbar os efeitos das mudanças climáticas globais.
Por essa razão, a proteção do carbono das florestas tropicais é uma das principais metas das iniciativas internacionais de combate às alterações climáticas, atraindo dezenas de bilhões de dólares em financiamento todos os anos.
Leia mais no site do CNPq
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