
30/07/2018
O verão com temperaturas extremas é notícia em tudo quanto é canto da Europa. Faz muito calor na Escandinávia – e também até no Ártico. O sul do continente está atipicamente úmido e tempestades na França deixaram estragos. Incêndios na Grécia deixaram ao menos 80 mortos. E o calor também está além do normal na América do Norte, no Japão, na Índia, no Paquistão. Diante deste quadro, aquela dúvida clássica volta a atormentar: isso tem algo a ver com o aquecimento global?
É uma pergunta que, em geral, recebe uma resposta ponderada de climatologistas: existe uma variabilidade natural do clima de um ano para o outro, mas as mudanças climáticas devem tornar os extremos como estes cada vez mais frequentes.
Frente à nova onda de calor, um grupo de pesquisadores europeus fez uma força-tarefa para buscar atribuições ao que está acontecendo especialmente no norte do continente. O resultados foram lançados na manhã desta sexta-feira, 27.
De acordo com as estimativas deles, a probabilidade de ocorrência de ondas de calor como essa de agora ou até piores é mais de duas vezes maior hoje por causa das mudanças climáticas do que seria se a humanidade não tivesse alterado o clima.
“A lógica que a mudança climática segue é inevitável – o mundo está se tornando mais quente, e ondas de calor como essa estão se tornando mais comuns”, disse Friederike Otto, vice-diretor do Instituto de Mudança Ambiental da Universidade de Oxford, em comunicado à imprensa.
“O que antes era visto como um clima excepcionalmente quente se tornará comum. Em alguns casos, já aconteceu. É algo para o qual a sociedade pode e deve se preparar – mas também não há dúvida de que podemos e devemos restringir a crescente probabilidade de todos os tipos de eventos climáticos extremos, limitando as emissões de gases de efeito estufa da forma mais rápida possível”, complementou.
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