
24/07/2018
No mesmo caminho de países desenvolvidos, o Brasil aderiu recentemente a iniciativas globais para reduzir o consumo de plástico. O movimento começou pela proibição de distribuir gratuitamente sacolinhas em supermercados de São Paulo e teve novo impulso com o banimento do uso de canudinhos em bares e restaurantes do Rio, após a comoção internacional causada pela imagem de uma tartaruga com uma haste espetada numa narina.
Dados da Associação Brasileira das Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), no entanto, mostram que isso não necessariamente está reduzindo a quantidade produzida. A fabricação de plásticos flexíveis cresceu 4% no país de 2016 para 2017, num mercado que movimenta cerca de R$ 20 bilhões por ano.
Nada menos que oito milhões de toneladas de plástico são jogadas nos oceanos todos os anos, segundo informações do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. A ponto de a organização estimar que, até 2050, haverá nos mares mais toneladas de plástico do que de peixes. Isso se nada for feito.
A gravidade da situação ocorre sobretudo por causa do descarte irregular dos resíduos, afirma Alexander Turra, professor da Universidade de São Paulo (USP). Na visão dele, proibir sacolas ou canudinhos não é a solução, mas chama atenção para o assunto.
— A solução começa com a melhor gestão dos resíduos sólidos — defende. — Essa é a forma de fechar a torneira.
Uma das saídas para reduzir a quantidade de plástico no mundo é transformar o polipropileno, o plástico comum, em biodegradável. No Brasil, apenas 2% das embalagens são do tipo “amigo do meio ambiente”, segundo Eduardo Van Roost, diretor-superintendente da Res Brasil, que fabrica e importa polímeros de baixo impacto ambiental. Nas contas do executivo, trocar o plástico comum pelo biodegradável encarece em, no máximo, 6% o valor da embalagem. Na visão dele, medidas como a proibição de sacolas e canudos servem apenas de vitrine política.
— É preciso que haja uma conscientização, e as grandes corporações não estão nem aí para isso, apenas culpam o consumidor — critica. — Se você comprar um coco no quiosque de Ipanema e não tiver um canudo, como você vai tomar a água? No copo plástico. É efetiva a proibição?
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