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Princesa japonesa Mako planta pau-brasil no Jardim Botânico do Rio

19/07/2018

Com a delicadeza que faz lembrar uma das tradicionais bonecas japonesas, a princesa Mako de Akishino fez nesta quarta-feira uma série de simbólicas visitas durante a sua passagem pelo Rio. Na primeira etapa da sua viagem de 12 dias pelo Brasil, a filha do segundo príncipe na fila de sucessão ao trono do Japão plantou uma muda de pau-brasil no Jardim Botânico antes de se dirigir ao Corcovado para encontrar-se com membros da Arquidiocese da cidade. Para a comunidade nipônica instalada no território carioca, estimada em cerca de 10 mil pessoas, a recepção para marcar os 110 anos da imigração japonesa ao Brasil traz prestígio e fortalece o laço com a História da sua terra de origem.
Neta do Imperador Akihito, de 84 anos, que já anunciou que deixará o cargo em 2019 pela sua idade avançada, Mako tem 26 anos. Vestida em traje claro de mangas longas, caminha com serenidade e elegância, com passo quase saltitante, mesmo que no meio da comitiva de mais de 20 pessoas distribuídas em sete carrinhos motorizados que a acompanharam até o jardim japonês dentro do Jardim Botânico. Sorridente, porém silenciosa, lançou um pouco de terra com uma pá e, sob aplausos, regou uma pequena muda de pau-brasil produzida a partir de um clone genético daquela plantada por Akihito em 1967 no então estaleiro Ishikawajima, atualmente o estaleiro Inhaúma, no bairro do Caju.
A princesa de voz baixíssima por pouco não se fazia inaudível enquanto conversava com o presidente da Associação Nikkei do Rio de Janeiro, Minoru Matsuura, na visita de pouco menos de dez minutos ao jardim, em que não fez mais declarações. Mas o clima de leveza se provou perceptível, sobretudo quando Mako cheirou flores indicadas pelo seu anfitrião como muito agradáveis.
— Ela ficou muito interessada no plantio das árvores e disse que vai retornar ao Japão para contar aos familiares que esteve aqui — conta Matsuura sobre a conversa que teve com a princesa durante a visita pelo jardim. — Para a comunidade japonesa, é muito importante este tipo de intercâmbio. Há, do outro lado do mundo, uma alteza que é venerada, inclusive pela nossa colônia daqui, que gosta muito desta tradição. A visita traz à comunidade certo prestígio e muito orgulho, porque não é todo lugar que recebe uma princesa.
Criado em 1935 e depois reinaugurado em 1995 pela Princesa Sayako, filha do Imperador Akihito, o jardim japonês já recebeu diversas visitas ilustres da monarquia mais antiga do mundo — incluindo a do atual monarca e de sua esposa, a Imperatriz Michiko, que estiveram no Brasil em 1997 por 10 dias. O príncipe Fumihito, pai de Mako, em 1988 também plantara uma planta de pau-brasil no mesmo local. As árvores brasileiras do jardim se misturam com bonsais, bambuzais, dois lagos artificiais e plantas importadas do Japão, tais como a cerejeira, azaleias, buquês de noiva e salgueiros chorões, no meio de construções específicas da arte de jardinagem japonesa.
Mais tarde, a princesa foi recebida pelo monsenhor Sergio Costa Couto no Corcovado. E no fim da tarde visitou a Associação Nikkei do Rio de Janeiro, no Cosme Velho.

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