
19/07/2018
A caça ilegal de animais silvestres em Áreas de Proteção Ambiental (APAs), sobretudo nos arredores do Parque Chico Mendes, tem crescido desde o final do último ano, alertam biólogos que estudam a fauna da região. O problema é tamanho que foi tema de discussão na última reunião do conselho gestor do parque, semana passada.
Os principais alvos são jacarés e capivaras, pois suas carnes são de alto valor e muitas vezes são até mesmo consumidas pelos caçadores ilegais. Membros do Parque Chico Mendes agora prometem que vão emitir ofícios ao Ministério Público e à Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA).
Roberto Carlos, administrador do Geban Praia Clube, faz parte do conselho e diz ter presenciado a invasão dos caçadores ao Parque Chico Mendes. Ele afirma que a entrada ocorre na divisa da Rua Newton Fontoura Reis com a Estrada Benvindo de Novaes.
— Eles entram à noite pelas cercas quebradas e ficam lá dentro por duas ou três horas. Quando retornam estão carregando grandes sacolas pretas — denuncia.
Para o biólogo Ricardo Freitas, pesquisador das espécies na região, a ilegalidade existe há anos nas lagoas de Marapendi e Jacarepaguá e nas áreas de reserva próximas ao campo de golfe olímpico, na Barra da Tijuca. Ele diz que o barulho de tiros, à noite, tem sido cada vez mais recorrente.
— Do final do ano passado para cá a caça tem tomado uma proporção absurda. Tornou-se comum encontrar guimbas de cigarro e fogueiras apagadas dentro da APA — relata Freitas.
Francisco Carrera, professor do Instituto Eventos Ambientais (Ieva) e um dos membros do conselho, relata que recentemente ouviu a ação dos criminosos enquanto praticava golfe no campo olímpico.
— Perto de anoitecer, ouvi diversos tiros de espingarda na direção do mar. Esses tiros podem atingir pessoas, inclusive aquelas que usam o transporte das balsas no Canal de Maranpedi — alerta Carrera.
Há três semanas, agentes da Secretaria de Conservação e Meio Ambiente (Seconserma) teriam ido ao local e constatado que 51 grades haviam sido arrancadas ou quebradas. Os conselheiros do parque temem pela invasão do espaço e cobram maior patrulhamento na área.
Responsável pela vistoria do Parque Chico Mendes, a Seconserma afirma que desconhece o ato ilícito de caça de jacarés e capivaras dentro dos limites do parque e afirma que não tem conhecimento de intrusos que tenham pulado o gradil para caçar tais animais.
A secretaria esclarece também que vistoriou toda a área de preservação e já está fazendo o levantamento orçamentário para reposição das grades, por meio de compensações ambientais.
Fonte: O Globo
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